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14/05/2018 | 08:25 | Praia Notícias

Com hipoteca da casa das filhas e 'fé inabalável' empresário inicia fábrica de papéis em SC

Fundador acreditava no potencial da região e na experiência de 30 anos trabalhando na área, mas não tinha recursos financeiros suficientes. Negócio já tem 16 anos e segue crescendo

Fábrica produz papéis especiais para outras indústrias (Divulgação)


Quando resolveu empreender e fundar a BN Papéis Especiais, o empresário Carlos Stein tinha 50 anos e quase 30 deles trabalhando na área, mas, apesar do capital intelectual, o capital financeiro era muito menor do que o necessário para a instalação de uma indústria. Conseguiu o aporte necessário depois de muita insistência aos bancos, dando como garantia até mesmo a casa em que as filhas viviam.


O que não faltava, porém, era confiança de que daria certo. Hoje, a empresa de Benedito Novo, cujo nome é uma homenagem à cidade, conseguiu aumentar o faturamento nos últimos anos, mesmo nos períodos de crise econômica no país, e vive em 2018 seu melhor ano, segundo o fundador.


A experiência do empresário no mercado de papéis começou em 1972, em uma fábrica de caixas de papel, no interior de São Paulo. Depois, Stein se mudou para Blumenau, onde foi trabalhar em uma empresa que fabrica produtos para a indústria de papel. Foi ali que conheceu o mercado do Brasil e da América Latina.


“Então a empresa foi vendida e eu fui junto. Mas a cultura era muito diferente e acabei pedindo demissão”, conta o empresário, que não se imaginava trabalhando em outra área. “Era isso que eu conhecia e muito bem”, afirma.


Foi então que decidiu criar a própria empresa de papéis, mesmo sabendo que o capital que precisava era maior do que ele conseguira juntar em toda a vida: “eu era executivo, tinha juntado algum patrimônio, mas para abrir uma indústria precisava muito mais.


As máquinas são caras e como eu ia convencer os bancos e as agências de fomento que daria certo?”, lembra o empresário, que vendeu bens e, como garantia ao empréstimo que precisou fazer, acabou oferecendo todo capital que reuniu ao longo da vida, inclusive a casa que as filhas moravam.


“Se não desse certo, minhas filhas iriam morar na rua”, conta ele.


As obras começaram em 1998 e em 2001 a empresa iniciou as operações, com fornecimentos para a indústria calçadista. Segundo o empreendedor, que atualmente fabrica diversos tipos de papéis especiais para outras indústrias, a empresa continua crescendo, embora no início, até se estabilizarem, passou por períodos difíceis. “Logo depois que entramos em funcionamento, tínhamos R$ 631 mil de títulos vencidos. Eu realmente não sei como conseguimos pagar, mas conseguimos”, lembra Stein.


A explicação para a coragem quase inconsequente é uma só: “fé inabalável. Eu não tinha nenhuma dúvida de que ia dar certo”, comenta. E deu certo. A empresa começou produzindo 10 toneladas de papel por dia, sendo que atualmente são 40 toneladas de produção e 120 funcionários trabalhando.


Nos últimos anos, mesmo não crescendo em volume de produção, Stein afirma que a indústria conseguiu ocupar toda a capacidade produtiva e aumentar o faturamento. Além disso, os números de 2018 já são os melhores da empresa nos 16 anos de fundação.


“Tenho certeza que fazendo as coisas da maneira certa, respeitando os colaboradores, a sinergia gera uma energia positiva que faz tudo dar certo”, afirma o empresário, que se diz um entusiasta de pessoas.


Foco nas pessoas


“O que as pessoas querem? Ser respeitadas, valorizadas, na empresa, na comunidade, na família em si”, comenta Stein. Por isso, afirma que na empresa busca dar oportunidades que possibilitem isso, como o programa Fundamentando Sonhos, pelo qual recebeu no ano passado o Prêmio Santa Catarina pela Educação, da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), na categoria empresas de médio porte.


O objetivo do programa, que existe desde 2012, e é elevar o nível de escolaridade dos colaboradores da empresa. Antes de iniciar o programa, o índice de colaboradores com o ensino fundamental completo era de 21,9%. Três anos depois, em 2015, o índice baixou para 2,7%.


Conforme Stein, o programa ocorre através de parcerias e os colaboradores são liberados para frequentar as aulas, além de receberem um subsídio de até R$ 200 na aquisição de lentes corretivas prescritas por um oftalmologista, quando necessário, e outro subsídio de 100% da alimentação por assiduidade.


“Temos pessoas que terminaram o primeiro grau, o segundo grau e agora já estão na faculdade”, comemora o empresário, ainda que isso signifique perder funcionários, como já ocorreu na empresa: “nós preparamos eles, pagamos a especialização, mas se aqui eles já não conseguem mais crescer, eles podem e devem ir. As pessoas precisam de desafios, precisam continuar crescendo”, diz.


O gestor acredita que “investir em pessoas dá lucro”. Além disso, conforme ele mesmo comenta, a maioria continua na empresa. Cita uma frase que atribui a Henry Ford: “Pior do que investir na pessoa e ela ir embora, é não investir e ela ficar na empresa”.


Para Stein, a equipe precisa trabalhar com motivação: “o lucro é consequência”, argumenta. Além do capital humano, o empresário também cita a necessidade de uma boa administração, além de estar atento às necessidades dos clientes.


Lição de casa


Não apenas os colaboradores buscam mais qualificação. O empresário comenta que para garantir que a crise econômica do país não afetasse tanto a empresa fez “a lição de casa”: “nesses momentos, é necessário uma reavaliação, com redução de custos e otimização de processos”.


Além disso, é hora de lançar um olhar mais atento ao mercado: “é preciso verificar as próprias habilidades e perceber o que o concorrente não está fazendo ou não consegue fazer”, comenta o empresário. Ao mesmo tempo, ele cita a importância de fazer com que os clientes valorizem o produto, sem com isso ter que reduzir custos apenas para garantir a venda.


Para ilustrar, Stein conta que no período de crise a BN chegou a perder um dos principais clientes, que optou por um fornecedor com um preço menor. “Isso afetou 20% da produção da empresa. A pressão foi grande para reduzir o valor, mas não havia possibilidade.


Nós precisamos reconhecer o custo e o cliente precisa perceber o valor. Não adianta eu baixar o preço e com isso comprometer a empresa e falir”, comenta Stein, que 45 dias depois acompanhou o retorno do cliente à empresa. “Você precisa ter um bom produto e um bom serviço. O cliente precisa saber que pode contar com você. Isso é ter valor”, afirma o empresário.


Hoje com 70 anos, Stein se diz satisfeito com o negócio e sem nenhuma perspectiva para se aposentar. Pelo contrário, espera estar à frente da empresa por muito tempo: “hoje não temos dívidas, temos capital de giro e uma equipe fantástica trabalhando. A empresa vai e vai muito bem, e eu eu pretendo crescer muito com ela ainda”, finaliza o empresário.

Fonte: G1

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