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02/12/2018 | 21:22 | Praia Notícias | Geral

Jovem catarinense deixa a cidade grande para plantar orgânicos no interior

Na contramão do êxodo rural, Pahola voltou para o campo e aposta na produção de alimentos para salvar o meio ambiente

Revista Versar


Em menos de 60 anos, a população rural em Santa Catarina caiu de 77% para menos de 20%. Sem oportunidade no campo, ou atraídos pela modernidade existente nas cidades, jovens incham os grandes centros e provocam o êxodo rural no estado que, por muito tempo, foi reconhecido pela agricultura familiar.


É na contramão deste movimento que a catarinense Pahola Cassol se destaca. Num primeiro momento, ela seguiu a tendência, saiu de Planalto Alegre, no Oeste do Estado, e foi morar em Chapecó, onde se formou em Engenharia Ambiental. Entretanto, aos 25 anos saiu de Chapecó e voltou para a cidade em que nasceu, decidida a empreender.


— Encontrei na minha mãe, que já produzia alimentos agroecológicos no espaço para o nosso consumo, uma parceira para expandir a produção e testar a ideia de negócio, a partir da agricultura familiar. O desejo de valorizar a história da minha família materna e tornar a propriedade onde eu, minha mãe e meus tios crescemos em um lugar produtivo também me motivou a buscar me tornar uma referência em produção de alimentos de forma sustentável.


Ainda que com o apoio da mãe, a nova produtora rural sentiu resistência de amigos e familiares quando decidiu morar no município vizinho da maior cidade do Oeste catarinense.


— Muitas pessoas apontaram o fato de sermos duas mulheres, nos dispondo a empreender, e ainda por cima a realizar algo que viria a necessitar de esforço e força física e horas de trabalho no sol. Além do fato de eu ter um diploma de Engenharia embaixo do braço que poderia me abrir diversos outros caminhos mais “fáceis” para algumas interpretações.


Produção pequena, mas sustentável


A plantação de Pahola ainda é pequena. Há oito meses da primeira colheita, a empresa está em fase de implantação e certificação da produção como orgânica pela Rede Ecovida.


Atualmente são atendidas cerca de 20 famílias chapecoenses por semana, com cestas contendo verduras, legumes, temperos, ervas medicinais e frutas da estação.


— A intenção é permanecer aumentando esse número conforme o manejo da produção for se estabilizando, levando cada vez mais saúde e bem-estar para a população, além de deixar impactos positivos no meio ambiente onde atuamos.


O desejo de “salvar o planeta” é o que move Pahola, que lamenta os processos tecnológicos agressivos e poluentes que são utilizados nas grandes produções.


— Me tornar produtora agroecológica e agrofloresteira está sendo uma jornada louca e profunda, pois estou tendo que encarar a falta de recursos, tecnologias e políticas que apoiem o pequeno produtor rural sustentável da mesma forma que apoiam os grandes ruralistas. Além disso tem a falta de consciência da sociedade sobre como uma simples escolha na hora do almoço pode afetar os nossos recursos naturais, equilíbrio e saúde.


Sendo assim, ela encara o novo papel profissional com uma responsabilidade gigante.


— Eu e todos os produtores agroecológicos somos influenciadores de diversos processos sociais, ambientais e políticos, e indispensável para manter-se a vida no planeta.

Fonte: Revista Versar

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