Publicidades

03/06/2020 | 08:43 | Polícia

Menino de nove anos escreve livro durante a quarentena em Novo Hamburgo

Samuel Erhart Robinson começou a escrever 'O menino e a casa na árvore: entre sonhos e pesadelos' no dia 21 de março. Para que o livro possa ser publicado, ele está arrecadando doações

Samuel Erhart Robinson, de 9 anos, de Novo Hamburgo, escreveu um livro durante o isolamento social ? Michele Robinson/Arquivo pessoal


Gabriel e seu irmão mais velho constroem uma casa na árvore e se juntam a mais três pequenos aventureiros. Na casa, os cinco encontram um botão que os leva para outra dimensão, a dos sonhos. Nessa dimensão, assim como existe o mundo dos sonhos com um guardião, existe o mundo dos pesadelos, com um lorde, que escurece tudo, para que as pessoas não consigam lembrar dos seus sonhos. A missão dos cinco amigos é derrotar o lorde que invadiu o mundo dos sonhos para deixar tudo como seu mundo: o dos pesadelos.


Essa é a história escrita por Samuel Erhart Robinson, e está no livro O menino e a casa na árvore: entre sonhos e pesadelos. O menino de 9 anos morador de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, escreveu a saga durante o período de isolamento social.


Com as aulas da escola suspensas por conta da pandemia do coronavírus, ele ocupou o tempo escrevendo a narrativa sobre a aventura de Gabriel e os amigos.


"Foi na quarentena, foi só um projetinho para eu passar o tempo, mas depois eu comecei a levar bem a sério", conta ele, que pretende fazer da história uma trilogia. "Fala sobre aventura. A história é que existem três mundos: o real, o dos sonhos e dos pesadelos", complementa.


Samuel diz que não sabe de onde surgiu a inspiração para a história. Mas, alguns personagens são inspirados em familiares e amigos. Como a única personagem menina que aparece na narrativa.


"A garota da história foi inspirada na minha irmã Melissa. Ela é corajosa, ela também tem aparência parecida com a minha irmã, é aventureira."


Dois dos companheiros do personagem nas aventuras são inspirados nos amigos de Samuel, Renato e Matteo. Assim como o avô do personagem tem a história semelhante ao avô do escritor: é um engenheiro eletrônico que produz aviões.


O livro foi feito de maneira colaborativa. Enquanto Samuel escrevia, os pais, Michele e Guilherme Robinson, acompanhavam a produção. Depois de pronto, a avó, Elisabete Robinson, fez a correção ortográfica, e uma amiga da família contribuiu com as ilustrações presentes no livro.


O menino e a casa na árvore: entre sonhos e pesadelos começou a ser escrito no dia 21 de março e já está pronto para ir para a gráfica. Serão cerca de 60 páginas. Para que o livro possa ser publicado, Samuel pede uma contribuição através de uma vaquinha pela internet.


Segundo o escritor, quando publicado, alguns exemplares serão doados. "A gente também vai dar alguns livros para a biblioteca da minha escola e para a Biblioteca Pública Municipal", conta,


Nas primeiras páginas, o livro traz a dedicatória de Samuel. "Para Mel, minha aventureira preferida. Para minhas avós, que quando eu não sabia ler narravam histórias lindas para eu imaginar. Para Renato e Matteo, meus parceiros e amigos em qualquer situação", escreveu.


Incentivo à leitura


Mesmo com 9 anos, completados nesta segunda-feira (1º), a escrita já acompanha Samuel há uns anos. Ele, que sabe ler e escrever desde os cinco anos, escrevia as próprias enciclopédias, além de notícias para deixar a família informada sobre os acontecimentos da rua.


"Eu brincava de escrever enciclopédias. Quando era pequeno eu aprendi a ler sozinho, aos 5 anos, antes do primeiro ano na escola. Eu comecei a escrever porque eu reconhecia algumas letras do meu nome, e algumas letras que não eram do meu nome", relata. "Antes eu brincava de escrever jornal e vendia anúncios. Eram notícias da rua que eu moro. Dava para os meus tios, para as minhas avós, meus dindos. Digitava no Word e usava a impressora do meu avô", completa.


Entre as sagas preferidas do menino está O Diário de Um Banana e Harry Potter. Samuel conta que está no quinto livro da história do bruxo.


A leitura é uma herança de família, conta a mãe, Michele. Com o período de quarentena e a suspensão das aulas, a família buscou incentivar o menino à leitura e à escrita.


"Ao invés de focar em conteúdo nessa quarentena, a gente procurou estimular, então, a leitura, a escrita, que é o que a gente precisa. É o que está faltando, que as pessoas leiam mais, escrevam mais. É uma coisa que ele gosta e a gente focou nisso ao invés de pensar no conteúdo que está se perdendo na quarentena. A gente tem que pegar o lado positivo e tentar fazer valer a pena", ressalta Michele.


A intenção do livro impresso é também estimular o hábito da leitura em outras crianças.


"Queremos pensar na questão do livro impresso, até para as crianças já não perderem esse hábito de ter um livro. Queremos um valor bem acessível, para estimular a leitura", afirma a mãe.

Fonte: G1

Mais notícias desta categoria

Publicidades


Mario Junior designer