O único hospital de Santo Ângelo, no Noroeste do Rio Grande do Sul, que recebe pacientes de 23 municípios, está
operando com apenas um médico. Ele se reveza para atender emergência, urgência e pacientes internados. Durante à noite e nos finais de semana, este é o
único lugar que as pessoas podem procurar atendimento na cidade.
O representante do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Aroldo José
Schmitt, denunciou a situação. "O hospital resumiu para um médico atendendo a emergência do hospital. Todo o atendimento inicial, pacientes que demandam de
toda a região e da própria cidade, são atendidos por um clínico, em condições precárias de trabalho."
Ele explica
que, às vezes, o plantão da noite inicia às 19h com pacientes que chegaram no local às 13h e que ainda estavam aguardando atendimento. "E essas pessoas
vão cansando de esperar e muitas vão pra casa, como a gente vê nas fichas que ficaram. Pessoas com crise hipertensiva, que não sei como vão se haver de
noite, na sua casa, sem ter tido atendimento nenhum."
Prefeitura diz que repassa R$ 182 mil por mêsa hospital
A
prefeitura observa que repassa R$ 182 mil por mês à administração do hospital. "Esse valor é suficiente pra contratar mais um profissional pra atender
com humanidade a população", diz o secretário da saúde de Santo Ângelo, André Kissel.
Enquanto isso, os pacientes ficam
aguardando. A atendente de farmácia, Gabriela Meneghini, reclama da dor e, principalmente, do descaso. Foram quase 24 horas com o braço fraturado até conseguir
atendimento no Hospital de Santo Ângelo."Ontem (terça-feira) eu cheguei aqui às seis e meia e hoje (quarta-feira) estou saindo quase às sete horas. Só
tem um médico."
Já a irmã do mecânico Lauri Barichello está com um tumor na cabeça e precisando ser medicada para diminuir
a pressão no cérebro. Por isso, ela tem duas opções: voltar para casa com dor ou bater na porta de outra emergência. O problema é que as mais
próximas ficam em Santa Rosa ou em Ijuí, ambas no Noroeste do estado, distantes mais de 50 quilômetros de Santo Ângelo. "Minha irmã pode perder a vida
hoje à noite por falta de competência", diz o mecânico.
Por nota, a direção do Hospital Santo Ângelo disse que tem uma
equipe médica de diferentes especialidades de sobreaviso para ser acionada quando necessário. Informou também que tem a receber um R$ 1,5 milhão do governo do
estado, referente a incentivos de outubro, novembro e dezembro do ano passado, que estão atrasados.
A direção do hospital esclareceu que os
recursos da prefeitura de Santo Ângelo, bem como dos outros municípios atendidos no hospital, também estão atrasados.