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16/12/2013 | 13:51 | Cultura

Menina italiana de 10 anos brilha na Fantástica Fábrica do Natal Luz

Criança encarna menina Sofia em espetáculo no festival da serra gaúcha.

Criança encarna menina Sofia em espetáculo no festival da serra gaúcha.
Em peça, Giada interpreta menina que percebe o poder de acreditar (Fotos: Cleiton Thiele/SerraPress)
Pelo segundo ano consecutivo, um talento precoce é dono de um dos papéis de destaque no maior festival natalino do país. Nascida na Itália e moradora de Gramado, na Serra do Rio Grande do Sul, desde 2006, Giada Salamini, de apenas 10 anos, dá vida à personagem Sofia na peça “Fantástica Fábrica de Natal” e chama a atenção dos organizadores pelo talento diante do compromisso em um dos cinco principais espetáculos do 28º Natal Luz.
“A Giada é incrível. Desde o primeiro minuto que vimos ela, já notamos um grande potencial. A primeira vez que a conhecemos foi numa audição no ano passado. Estávamos receosos se encontraríamos alguém, porque, na prática, ela ‘carrega a peça nas costas’. No dia da aprovação, lembro que ela saiu da nossa sala e imediatamente pulamos, gritando em êxtase: ‘conseguimos’”, lembra Denis Gosch, que ao lado de Daniel Colin dirige a atração.
Durante a trama, a menina Sofia vive momentos de magia após ser levada por um anjo à Fábrica de Natal onde brinquedos ganham vida, bonecas e soldados dançam, trens trazem o espírito natalino e duendes andam de ponta-cabeça. Em um sonho, ela percebe o poder do “acreditar”. “Eu sempre espero que eles se emocionem, sempre vejo um brilho nos olhos de cada um. A gente faz essa magia que torna eles felizes”, conta a pequena italiana, que desde os cinco anos convive com a cena artística em aulas de sapateado, ballet e jazz.
Para brilhar, Giada – nascida na Itália durante o período em a mãe e o pai, que é italiano, residiam na Europa – tem os desafios rotineiros de talentos artísticos precoces. “Ela acorda às 6h30, vai para a aula, e, duas vezes por semana, precisa estar quatro horas antes do início da apresentação. Entre agosto e o final de outubro, os ensaios eram diários, mas ela conseguiu conciliar o estudo e o teatro. E ainda tem aulas de inglês. Estamos sempre em cima para que a vida escolar dela não seja afetada”, detalha a mãe, Cíntia Oliveda, de 42 anos.
O profissionalismo de Giada não se resume a capacidade de decorar falas sem falhas ou desenvolver técnicas avançadas de interpretação. “Ela é muito ligada e sempre ajuda os colegas. Quando o som não tem retorno, por exemplo, ela avisa a equipe técnica. Se alguém cai, ela ajuda e mantém a discrição”, diz a mãe “coruja”, orgulhosa pelo incentivo da família, que decidiu em 2010 inscrevê-la nas audições para a “Fábrica”.
“Ela está à frente da idade dela. Lembro que no ano passado, certa vez, ela prendeu o cabelo em um cabo de aço, que usamos para encenar o início do espetáculo. Entrou um duende em cena, que não deveria existir, e desprendeu os cabelos dela. Tudo isso não a abalou. Foi como se nada tivesse acontecido. Muitas crianças teriam se desestruturado e talvez abandonado o palco. Ela não”, complementa Gosch.
Giada é uma prova do DNA artístico da comunidade gramadense e, ao contrário de outros talentos mirins, não vê em estrelas de TV a inspiração para atuar. Para ela, a maior referência é a atriz e colega Caroline Thoen, que, após integrar corais no Natal Luz durante a infância, interpreta em 2013 a Mamãe Noel na “Fantástica Fábrica de Natal”, a Virgem Maria no “Grande Desfile” e atua como soprano no “Nativitaten”. “Ela é uma pessoa que inspira muito. A Carol tem a voz linda, ela também é muito calma”, afirmou a menina.
Assim como centenas de crianças do município, Giana é revelação do Programa de Artes Mário Benetti, projeto criado em 2008 que oferece aulas gratuitas em 16 modalidades artísticas e prepara moradores para brilhar em uma das 20 atrações do Natal Luz. 
“Ela estava sempre dançando na frente do espelho. Pedíamos: ‘Pelo Amor de deus, para’ (risos). Quando ela fez sete anos, a idade mínima para entrar no programa, matriculamos ela em aulas de sapateado, ballet e jazz. Em 2010, ela participou do desfile e, no ano passado, ficamos sabendo que haveria audição da Fantástica Fábrica. Inscrevemos ela pela internet, houve o processo, e passou. Mas ela nunca tinha feito nada parecido e foi tudo natural. Na pré-estreia, eu não acreditava que era ela”, vibra a mãe.
Fonte: G1
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