Pelo segundo ano consecutivo, um talento precoce é
dono de um dos papéis de destaque no maior festival natalino do país. Nascida na Itália e moradora de Gramado, na Serra do Rio Grande do Sul, desde 2006, Giada
Salamini, de apenas 10 anos, dá vida à personagem Sofia na peça “Fantástica Fábrica de Natal” e chama a atenção dos
organizadores pelo talento diante do compromisso em um dos cinco principais espetáculos do 28º Natal Luz.
“A Giada é incrível.
Desde o primeiro minuto que vimos ela, já notamos um grande potencial. A primeira vez que a conhecemos foi numa audição no ano passado. Estávamos receosos se
encontraríamos alguém, porque, na prática, ela ‘carrega a peça nas costas’. No dia da aprovação, lembro que ela saiu da nossa sala e
imediatamente pulamos, gritando em êxtase: ‘conseguimos’”, lembra Denis Gosch, que ao lado de Daniel Colin dirige a atração.
Durante a trama, a menina Sofia vive momentos de magia após ser levada por um anjo à Fábrica de Natal onde brinquedos ganham vida, bonecas e soldados dançam,
trens trazem o espírito natalino e duendes andam de ponta-cabeça. Em um sonho, ela percebe o poder do “acreditar”. “Eu sempre espero que eles se emocionem,
sempre vejo um brilho nos olhos de cada um. A gente faz essa magia que torna eles felizes”, conta a pequena italiana, que desde os cinco anos convive com a cena artística em
aulas de sapateado, ballet e jazz.
Para brilhar, Giada – nascida na Itália durante o período em a mãe e o pai, que é italiano,
residiam na Europa – tem os desafios rotineiros de talentos artísticos precoces. “Ela acorda às 6h30, vai para a aula, e, duas vezes por semana, precisa estar
quatro horas antes do início da apresentação. Entre agosto e o final de outubro, os ensaios eram diários, mas ela conseguiu conciliar o estudo e o teatro. E
ainda tem aulas de inglês. Estamos sempre em cima para que a vida escolar dela não seja afetada”, detalha a mãe, Cíntia Oliveda, de 42 anos.
O profissionalismo de Giada não se resume a capacidade de decorar falas sem falhas ou desenvolver técnicas avançadas de interpretação. “Ela
é muito ligada e sempre ajuda os colegas. Quando o som não tem retorno, por exemplo, ela avisa a equipe técnica. Se alguém cai, ela ajuda e mantém a
discrição”, diz a mãe “coruja”, orgulhosa pelo incentivo da família, que decidiu em 2010 inscrevê-la nas audições para a
“Fábrica”.
“Ela está à frente da idade dela. Lembro que no ano passado, certa vez, ela prendeu o cabelo em um cabo de
aço, que usamos para encenar o início do espetáculo. Entrou um duende em cena, que não deveria existir, e desprendeu os cabelos dela. Tudo isso não a
abalou. Foi como se nada tivesse acontecido. Muitas crianças teriam se desestruturado e talvez abandonado o palco. Ela não”, complementa Gosch.
Giada
é uma prova do DNA artístico da comunidade gramadense e, ao contrário de outros talentos mirins, não vê em estrelas de TV a inspiração para
atuar. Para ela, a maior referência é a atriz e colega Caroline Thoen, que, após integrar corais no Natal Luz durante a infância, interpreta em 2013 a Mamãe
Noel na “Fantástica Fábrica de Natal”, a Virgem Maria no “Grande Desfile” e atua como soprano no “Nativitaten”. “Ela é uma
pessoa que inspira muito. A Carol tem a voz linda, ela também é muito calma”, afirmou a menina.
Assim como centenas de crianças do
município, Giana é revelação do Programa de Artes Mário Benetti, projeto criado em 2008 que oferece aulas gratuitas em 16 modalidades artísticas e
prepara moradores para brilhar em uma das 20 atrações do Natal Luz.
“Ela estava sempre dançando na frente do espelho.
Pedíamos: ‘Pelo Amor de deus, para’ (risos). Quando ela fez sete anos, a idade mínima para entrar no programa, matriculamos ela em aulas de sapateado, ballet e
jazz. Em 2010, ela participou do desfile e, no ano passado, ficamos sabendo que haveria audição da Fantástica Fábrica. Inscrevemos ela pela internet, houve o
processo, e passou. Mas ela nunca tinha feito nada parecido e foi tudo natural. Na pré-estreia, eu não acreditava que era ela”, vibra a mãe.