Os acadêmicos do 5º semestre do curso de Psicologia da SETREM prestigiaram uma palestra de importante temática na quinta-feira, 3,
no Campus da Instituição. O docente Gerson Silveira Pereira, em atividade do componente curricular Psicologia Social I, trouxe à sala de aula o psicólogo
Clairton Bassin Pivoto, de Santiago – RS, mestrando em Gestão Estratégica de Organizações, que palestrou sobre os impeditivos para a inclusão de
pessoas com deficiência no mundo do trabalho.
Pivoto contou que passou a se interessar pelo tema em uma entrevista de emprego que participou. “Quando estava
no 3º semestre da graduação em Psicologia, conversava com a psicóloga que realizava a seleção para uma vaga e ela disse que estava me procurando pois
o Ministério Público (MP) estava pressionando pela contratação de um deficiente, e que a multa era salgada em caso de não ter na empresa alguém que
cumprisse este requisito. Virei as costas e saí no mesmo momento. Foi aí que comecei a me questionar o porquê de a coisa funcionar assim, tentando entender se aquele era
um pensamento exclusivo dela, se era compartilhado pelo gestor ou se era um pensamento geral”, relembra.
A dificuldade dos gestores
O palestrante destaca que um ponto que dificulta a inclusão é o desconhecimento e, por consequência, o preconceito por parte dos gestores. “A
maioria deles vê a pessoa com deficiência com pena, incapacitada para exercer uma função no mundo do trabalho. A maioria dos gestores vê apenas a
deficiência, mas não vê uma pessoa com deficiência. Vê a cadeira de rodas, mas não vê uma pessoa em cima da cadeira de rodas. Esse, ao meu ver,
é o maio empecilho para o deficiente entrar o mundo do trabalho”, explica.
Em seu trabalho de conclusão de curso, Pivoto analisou desafios e
perspectivas das pessoas com deficiência ao ingressarem no mundo do trabalho, época em que identificou que a principal barreira imposta, hoje, parte deste gestor. “Mas
isso não significa carregarmos a ideia de que ele é malvado, ruim, mas de que ele também não conhece, pois passa por uma graduação e não
vê o que é deficiência, não aprende sobre este tema. Sem compreender, ele apenas vai cumprir a determinação do MP para contratar um, cinco ou dez
deficientes, mas como fazer isso, com qual tipo de deficiência e para que área, ele não sabe”, ressalta.
Projeto
No mestrado, Pivoto está pesquisando a visão dos gestores quanto à inclusão de pessoas com deficiência no mundo do trabalho. Ele tem planos
para a sequência de sua trajetória acadêmica e profissional. “Através das respostas, pretendo criar uma formação para capacitar o gestor a
trabalhar com a pessoa com deficiência, pois aí sim esta barreira será quebrada. A partir do momento em que ele ver que uma pessoa deficiente pode produzir tanto quanto
qualquer outra, vai aderir ou levantar a bandeira da inclusão no mundo do trabalho”, conclui.