Os pátios das delegacias onde ficam carros apreendidos começaram a chamar a atenção em todo o estado. Moradores temem que os
locais virem criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, do zika vírus e da febre de chikungunya, como mostrou o RBS Notícias nesta segunda-feira (4).
A Delegacia da Polícia do bairro Forquilhinha, em São José, na Grande Florianópolis, está com o pátio lotado de carros recuperados
de furtos e roubos. Muitos veículos estão com vidros quebrados. Outros, só têm a carcaça.
Denúncia
No local, é possível encontrar muito lixo e também água acumulada. O morador Sidney Borba denunciou o risco à Prefeitura de São
José. "Quem tem que dar o exemplo é o governo", afirmou.
A Vigilância Epidemiológica disse que essa não foi a única
denuncia. Desde o início do ano, recebeu várias reclamações de moradores do entorno da delegacia. O local já estava mapeado como ponto de alerta e recebe
visita de agentes de endemia a cada 14 dias.
"Eles fazem inspeção nas sucatas de carro onde existe água parada e, no caso de existência de
larvas de mosquito, elas são coletadas, trazidas para o nosso laboratório", afirmou o coordenador do programa de combate a endemias, Ademar Rosa.
Até agora, nenhuma das larvas encontradas era do Aedes aegypti. Mesmo assim, a Vigilância solicitou à Delegacia que os carros sejam retirados do local até 13 de
abril. O delegado regional de São José, Fabiano da Rocha, admitiu o problema.
"Esta semana ainda, aqueles veículos que estão queimados,
batidos, onde há uma possibilidade maior dos focos de dengue pelo fato da água da chuva ficar parada, serão retirados e encaminhados ao complexo da SSP [Secretaria de
Segurança Pública]", afirmou o delegado.
Problema no estado
O problema se repete pelo estado. Em Joinville, no
Norte, o pátio da Central de Polícia é considerado foco do Aedes aegypti. A Vigilância Ambiental disse que faz vistorias frequentes, mas, cada vez que chove, o
risco volta. Nesta segunda, a Vigilância se reuniu com o delegado, que prometeu tomar as medidas necessárias.
E o risco não está só
nas delegacias. Em Chapecó, no Oeste, os veículos apreendidos pela polícia se acumulam no pátio de uma empresa terceirizada. Os carros mais velhos são
perfurados para não acumular água, mas. ainda assim, há risco. Por isso, a empresa disse que todo mês faz pulverizações no local. Além disso,
há a fiscalização dos agentes de endemias.
No pátio da Polícia Rodoviária de Içara, no Sul, foram encontrados
três focos do Aedes aegypti neste ano. A Vigilância Sanitária já notificou o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) duas vezes, a última em
fevereiro. O órgão tinha o prazo de um mês para cobrir os carros ou tirá-los do local, mas nenhuma das duas coisas foi feita.