Trabalhar com projetos a fim de promover uma
nova perspectiva para que o processo de ensino e aprendizagem seja compreendido. Foi com esse objetivo que o Núcleo de Extensão do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia da
SETREM promoveu capacitação em metodologias de projetos, voltada aos professores e funcionários da rede estadual de ensino de Santo Augusto. A formação
foi ministrada pela pedagoga Franciele Acker na Escola Estadual de Ensino Médico Santo Augusto, no dia 8.
De acordo com a pedagoga, trabalhar por projetos
possibilita ao aluno desenvolver diferentes competências e a escola transforma-se num espaço vivo de interações, aberto ao real e às suas múltiplas
dimensões. Através do trabalho realizado por meio de projetos, o docente é desafiado, pois precisa se desapegar de velhas práticas e incorporar novas
metodologias em sua prática diária. A pedagoga destaca que assim, o conteúdo já não é mais o centro do processo, e sim o processo ensino
aprendizagem, e este deve ser trabalhado de forma significativa, concreta e por meios de relações sociais e experienciais. Nesse novo entendimento aprender deixa de ser
memorizar e, ensinar já não é apenas transmitir conteúdos aleatórios. Para ela, aprender deixa de ser um simples ato de memorização e
ensinar não significa mais repassar conteúdos prontos. “Nessa postura todo conhecimento é construído em estreita relação com o contexto em
que é utilizado, sendo, por isso mesmo, impossível separar os aspectos cognitivos, emocionais, sociais presentes no processo. A formação dos alunos não
deve ser pensada apenas como uma atividade intelectual. É um processo global e complexo, onde conhecer e intervir no real não se encontram dissociados”, ressalta.
Durante a formação, a pedagoga sentiu-se desafiada a propor esta metodologia ao perceber que o grupo de professores quer abraçar novas posturas de
trabalho, frente à evolução tanto tecnológica, quanto social e isto requer muito trabalho. Para Franciele, fazer essa parada e pensar novas práticas, para
começar a inseri-las tanto no campo teórico, como na prática, é como um tabu, sendo que é um movimento que inicia-se vagarosamente nas escolas
públicas onde se busca a escola de qualidade e inclusiva a todos.
Capacitação
Segundo ela, a busca por
novas metodologias (pesquisa) somadas ao desejo dos alunos, direciona-se diretamente ao campo tecnológico, o qual, muitas vezes ainda é desconhecido pelos professores enquanto
docentes. “Então, afirmar que a escola vive uma mudança de paradigma, é termos a certeza que necessitamos estar em capacitação constante”,
observa. No trabalho por projeto, tanto o ensino quanto a aprendizagem adquirem novo significado. Os atores desse processo comportam-se como parceiros nessa empreitada, na qual professor
(mediador) cria situações reais de aprendizagem a partir do meio social e cultural de seus alunos, os alunos se tornam protagonistas de suas aprendizagens, passa de um ato
mecânico para aprender nas experiências.
O trabalho com projetos é positivo tanto para o aluno quanto para o professor. Ganha o professor, que se sente
mais realizado com o envolvimento dos alunos e com os resultados obtidos; ganha o aluno, que aprende mais do que aprenderia na situação de simples receptor de
informações. Assim a informação passa a ser tratada de forma construtiva e proveitosa e o estudante desenvolve a capacidade de selecionar, organizar, priorizar,
analisar, sintetizar, entre outras.
Entre as principais vantagens de se trabalhar através de projeto apontadas por Franciele está a de que a aprendizagem
passa a ser significativa, centrada nas relações e nos procedimentos. Para ela, uma vez identificado o problema e formuladas algumas hipóteses, é possível
traçar os passos seguintes: definição do material de apoio para a pesquisa, que será utilizado para a busca de respostas, de confirmação ou
não das hipóteses levantadas, e as ações a serem desenvolvidas evidentemente serão determinadas pelo tipo de pesquisa.
Para
finalizar, ela menciona a preocupação que o educador Paulo Freire demonstrava sobre o trabalhar com projetos interdisciplinares, “tanto educadores quanto educandos
envoltos numa pesquisa, não serão mais os mesmos. Os resultados devem implicar em mais qualidade de vida, devem ser indicativos de mais cidadania, de mais
participação nas decisões da vida cotidiana e da vida social. Devem, enfim, alimentar o sonho possível e a utopia necessária para uma nova lógica
de vida”.