Consultórios médicos de Jaguari, na
Região Central do Estado, estão vendendo receitas indicando doenças, sem examinar pacientes, para que pessoas que não são dos grupos prioritários
da campanha de vacinação contra a gripe consigam ser imunizadas na rede pública de saúde. O alerta sobre a prática veio de ouvintes da Gaúcha Santa
Maria.
Para confirmar a emissão de receitas sem consultas nem conhecimento dos pacientes, a reportagem ligou para consultórios particulares de
Jaguari. No primeiro, a atendente afirma ter uma lista grande de pacientes e pede para tentar no dia seguinte, mas explica que é possível conseguir um atestado para vacinar
mesmo que a pessoa não tenha doença alguma. Ela aponta o valor de R$ 30 e sugere outros médicos que poderiam atender naquele mesmo dia com o mesmo preço, que
seria tabelado.
Em contato com um dos consultórios recomendados, a secretária diz que a procura é grande e que não é
necessário ter alguma doença para conseguir a receita. Ela explica que basta dar, por telefone, o nome da pessoa que deseja ser vacinada para depois buscar o atestado.
“A receita a gente consegue, é R$ 25. Aí tu me passa o nome dele e fica prontinho aqui só pra ti pegar”, orienta a secretária.
O objetivo de quem busca receitas desta forma é conseguir atestado médico para garantir a inclusão em grupos de risco, que são formados por
pacientes que conseguem se vacinar na rede pública por terem maior chance de complicações.
Outros dois médicos foram citados pelos
ouvintes e por uma das secretárias como alternativas para garantir uma receita. Por telefone, no entanto, as atendentes desconfiam, não confirmam a possibilidade de conseguir
atestado para a vacinação e pedem que se vá pessoalmente até os consultórios.
Ao entrar em contato com os consultórios e
identificar-se como repórter, a resposta recebida é de que não são entregues receitas sem que o paciente tenha algum problema. Um dos médicos foi
encontrado pela reportagem e negou, afirmando que nunca praticou esse tipo de irregularidade.
O delegado seccional do Conselho Médico do Rio Grande do Sul
em Santa Maria, Dr. João Alberto Laranjeira, afirma que esse tipo de prática é absolutamente antiética. Uma sindicância vai apurar o caso. As
punições podem ir de advertência à cassação, cabendo recurso.
Sobre os possíveis prejuízos à campanha,
a Secretaria Estadual da Saúde se manifestou em nota:
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) ressalta que, para o grupo de pessoas com comorbidade,
mantém-se a necessidade de prescrição médica especificando o motivo da indicação da vacina, que deverá ser apresentada no ato da
vacinação. No Rio Grande do Sul, estão previstas 1.019.327 doses para esse grupo. A prescrição de receitas para pessoas que não fazem parte das
categorias de risco implica em prejuízo à campanha, pois acaba utilizando doses que estavam reservadas a pessoas com alguma condição que correm mais risco de
evoluírem para casos graves na eventualidade de contágio pelo vírus Influenza.