Meia hora depois de ser mandada para casa pelo hospital no
qual foi atendida, uma mulher em de Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, deu à luz no chuveiro da própria residência. O pai auxiliou no parto e chamou
os bombeiros. A médica que atendeu a mãe classificou o que ocorreu com a paciente como "atípico", como mostrou o Jornal do Almoço desta sexta-feira
(13).
Há uma semana, Débora Estevão de Jesus começou a sentir as contrações. A bolsa estourou, ela chamou o marido e os
dois foram até o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes.
Lá, Débora foi recebida pela médica que estava de plantão. A ela, a
paciente relatou um enjoo, reclamou das contrações e disse que as dores estavam cada vez mais fortes.
A médica fez mais algumas perguntas, verificou
a dilatação da paciente e concluiu que a criança não nasceria naquele momento.
Parto
"Ela
só me passou uma receita com um remédio para dor no estômago e me mandou embora. Disse que não estava na hora ainda de nascer", disse a mãe. A menina
nasceu meia hora depois.
"Eu cheguei em casa, fui para o quarto. Do quarto, eu fui para o banheiro, porque eu estava com muita dor. Debaixo do chuveiro, eu
comecei a fazer força, vieram as contrações, fazia força. Foi onde ela nasceu", contou Débora.
O pai, Vanuti Alison da
Rocha, foi quem fez o parto da criança. "Foi um grande susto. Não tinha experiência nenhuma. Ela me chamou, que ela estava já ganhando ali no banheiro. Eu
estava no telefone com o bombeiro. Aí eu sai correndo, deixei o telefone ali", relatou.
Os socorristas chegaram minutos depois e fizeram o primeiro
atendimento ainda no banheiro. Eles cortaram o cordão umbilical e embrulharam a bebê com uma manta térmica.
"De certa forma, foi
tranquilo", relatou o bombeiro Saint Clair Veiga Patrício Junior. Porém, os socorristas reconhecem que o banheiro não é o lugar mais indicado para um parto.
"Quanto mais cuidado, quanto mais higiene, melhor para a criança. Menos risco de acontecer alguma coisa", explicou o bombeiro Anaclécio Francisco de Medeiros.
Reencontro com a médica
O atendimento durou menos de 10 minutos. Depois disso, mãe e filha foram levadas ao mesmo hospital e
Débora acabou reencontrando a médica.
"Ela ficou abismada, sabe? Mas a reação dela foi: 'tu aqui de volta, nasceu!'. Sabe? Ela
não sabia, ela ficou até com vergonha. Aí, ela foi e tirou a placenta. E deu os pontos e sumiu. Eu não vi mais".
A médica Marly
de Sá afirmou que a medicina não é uma ciência exata e está tranquila. Classificou o que ocorreu com a paciente como uma coisa atípica.
"Ela percebeu as contrações, mas ela não estava com contração ainda. Ela estava com muita náusea", relatou a
médica.
"Eu fiz exame e ela estava só com uma polpa digital de dilatação, dois centímetros. Ela não estava em
trabalho de parto ativo. A medicina não é uma ciência exata, não é matemática. Então, nós temos as variações.
Geralmente, o trabalho de parto dura oito horas. O dela durou uma hora talvez", explicou
Por causa do exame, a médica decidiu por não internar a
paciente. "Não, porque ela não estava em trabalho de parto ativo, não estava com contração e ela não tinha dilatação suficiente
para a gente internar".
A família ainda não decidiu se irá procurar um advogado. O G1 tentou contato com o hospital, mas foi informado de que
somente diretor clínico, que está viajando, deve decidir se algum procedimento será tomado em relação ao caso.