Lucia Thomas é formada em Pedagogia desde dezembro de
2014 pela faculdade particular Fetremis, com sede em São Paulo das Missões, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Quase um ano e meio depois, ela ainda espera pelo
diploma que comprova a conclusão do curso de graduação. E não é a única. Outros 23 alunos que se formaram na mesma turma passam pela mesma
situação.
A falta do documento tem gerado problemas à profissional, que não pode exercer a profissão sem apresentar o papel.
Professora na rede pública de ensino do município, ela começou no nível 1, que paga o piso da profissão e exige apenas o magistério. Quando se
formou na pós-graduação, também pela Fetremis, recebeu o certificado pela especialização e avançou para o nível 3, passando a receber
um salário maior.
O governo exigiu também a apresentação do diploma da graduação em Pedagogia em até um ano. O prazo
foi atingido e, sem a entrega do documento, Lucia precisou retroceder para o nível 1 e ainda tem de devolver a diferença de salário entre os níveis, somando os
meses em que recebeu como pós-graduada, para a prefeitura.
Diante destas condições, e após tentar conversar com o diretor da faculdade sem
sucesso, Lucia decidiu reivindicar o diploma na Justiça, entrando com uma ação em dezembro de 2015. Mas, até agora, nada foi resolvido.
Diretor da instituição promete entregar diplomas até o fim de maio
A faculdade, que atende 150 alunos e é reconhecida pelo
Ministério da Educação, é a única que oferece cursos presenciais na cidade, que não chega a sete mil habitantes. Além das
graduações em Pedagogia e História, também conta com cursos de pós-graduação na área de Educação.
O diretor da instituição, André Luiz Loockmann, que também é proprietário da Fetremis desde 2012, explica que houve problemas burocráticos.
A faculdade pode apenas emitir o diploma, mas não pode fazer o registro. Essa segunda etapa fica a cargo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). "Quando comprei a
faculdade, não sabia disso, tive que ir atrás, renovar contrato com a UFSM˜, alega.
André afirmou também que ainda não pode
assinar como mantenedor da instituição, pois os documentos não foram passados para o seu nome. Por isso, teria tido dificuldade para conseguir as assinaturas, com o
antigo mantenedor, para emitir os diplomas. "Não sabia como proceder", confessa.
O diretor disse ainda que a certidão de
colação de grau e o histórico foram entregues aos alunos egressos e que seriam equivalentes ao diploma. Cleci Leichtweis, atendente de creche e uma das alunas que
espera pela documento, diz que só recebeu o histórico no fim de 2015, quase um ano depois da formatura.
Recentemente, os pedagogos foram informados
que deveriam pagar uma taxa de R$ 24 para a emissão dos diplomas. Toda a turma já quitou o valor em março de 2016, conforme o próprio diretor da
instituição. "A universidade de Santa Maria pede 60 dias para entregar os diplomas registrado. Até o fim de maio eles serão entregues", promete.
Faculdade também atrasa pagamento de professores
Professora da faculdade na época, a orientadora educacional na
Secretaria Municipal de Educação Sirlei Mayer Krimdges decidiu se afastar do cargo, pois a Fetremis não estava conseguindo pagar o seu salário. Ela ainda tem
mais de R$ 2 mil a receber pelo período trabalhado. A situação da turma também a motivou o afastamento.
"A grade é
ótima, eu mesma estudei lá e fiz campanha para que as pessoas estudassem lá. Mas aí eu vejo uma turma de dezembro de 2014 que ainda não recebeu o diploma.
Não podia ficar vinculada à instituição vendo isso", conta Sirlei.
O diretor reconhece que a faculdade está enfrentando problemas
financeiros, segundo ele devido à inadimplência de alguns alunos, e que o pagamento dos salários depende das mensalidades. "Estamos tentando colocar em dia",
afirma.