O Hospital de Caridade e os médicos plantonistas da UTI têm até a quarta-feira (25) para chegar a um
acordo sobre o pedido de demissão encaminhado no dia 25 de abril, em Três Passos. O grupo de cinco profissionais decidiu pelo cancelamento dos contratos de trabalhos verbais,
com total suspensão dos serviços prestados em um prazo de 30 dias.
Ausência de contrato legal de prestação de serviço, falha
na elaboração dos contratos após inúmeras reuniões, ausência de reajuste salarial conforme índices de reposição
inflacionária e atraso nos pagamentos dos vencimentos teriam motivado a decisão dos médicos.
Segundo fonte ligada ao hospital, poderá haver
fechamento da UTI, que já começa a sofrer com falta de materiais. Parte do último repasse foi usado para pagar 4 de 10 parcelas de salários atrasados do ano
passado. Salários deste ano ainda não foram pagos. Ainda segundo a fonte, houve uma reunião na sexta-feira, 20, mas só os médicos plantonistas e o diretor
do Corpo Clínico compareceram.
No dia 18 de abril, os profissionais médicos que integram o Corpo Clínico decidiram por paralisar os
atendimentos médicos eletivos nos ambulatórios, internações, exames diagnósticos por imagem, endoscópicos e cirúrgicos do SUS, e demais
convênios cujos repasses de honorários não estavam em dia.
Em 4 de maio, houve pedido de demissão de três médicos da
emergência. No dia 9, um grupo de 20 médicos encaminhou carta de rescisão coletiva e de aviso prévio. Os profissionais são plantonistas dos serviços
de sobreaviso e se referem às áreas de ginecologia, obstetrícia, neurologia, neurocirurgia, ortopedia, traumatologia, clínica médica, anestesiologia e
cirurgia geral.
Conforme a administração do hospital, a instituição devia R$ 2,9 milhões a 20 médicos e tinha valores a
receber do Estado referentes a incentivos hospitalares, mais valores do SAMU Federal e SAMU Estadual, que totalizavam R$ 1.670.925,77 de passivo. Parte dos salários do mês de
abril dos funcionários ainda não foi paga.
Marcha Pela Saúde
Na última quarta-feira (18) aconteceu
uma reunião no Auditório da Saúde da prefeitura. O encontro reuniu representantes da Secretaria de Saúde, do 7º BPM, da direção e dos
funcionários do Hospital de Caridade, representantes de Clubes de Serviço, além de vereadores e imprensa.
A difícil
situação vivenciada pelo Hospital de Caridade de Três Passos também se repete em outros hospitais da região e do Estado. Os problemas são causados,
principalmente, pelo atraso dos pagamentos por parte do Estado e também devido à defasagem na correção dos valores pagos pela tabela do SUS em
relação à inflação.
No encontro, foi lançado um movimento de abrangência regional denominado Marcha Pela
Saúde, em apoio ao Hospital de Caridade e aos demais hospitais da região. A manifestação será realizada no dia 3 de junho, na cidade de Três Passos.
Trabalhadores da Saúde da região e a população em geral estão sendo chamados a participar.