Se o Gigante tem alma, a sua alma seguiu viva nas novas arquibancadas lotadas do
Beira-Rio. Muitos daqueles torcedores que se emocionaram na noite de sábado com Os Protagonistas, o espetáculo de abertura do estádio, retornaram para presenciar o jogo
oficial de inauguração. Quarenta e cinco anos depois, o Peñarol voltou a ser convidado para abrir o Beira-Rio. E D'Alessandro, um dos principais nomes da
história do Inter, foi o dono da partida, ao marcar os gols na vitória por 2 a 1 sobre o time de Montevidéu.
Elegantes, os uruguaios
ofereceram uma placa ao Inter em homenagem à partida. Antes do jogo, as duas equipes entraram em campo no padrão Fifa: juntas. Perfilados, os dois times ouviram os hinos do
Uruguai, do Brasil e do Rio Grande do Sul. O protocolo seguiu com as três bandeiras mais a do Inter em frente aos atletas.
O simbólico apito
inicial foi de Roque José Gallas, árbitro de Inter 2x1 Benfica, a partida que inaugurou o Beira-Rio em 6 de abril de 1969. Mesmo com uma formação mista, foi o
Peñarol quem chegou pela primeira vez com perigo ao gol do Inter. Albín, a dois minutos, bateu cruzado, próximo ao gol de Dida.
Mas a
história do novo Beira-Rio começaria a ser escrita por D'Alessandro, aos 4min40seg. Se o lateral-esquerdo Fabrício fez o primeiro gol do novo estádio, ao
marcar contra o Caxias, pelo Gauchão, coube ao principal jogador do Inter nas últimas temporadas, seu camisa 10 e seu capitão, D'Alessandro, a honra de fazer o 1 a
0 sobre os uruguaios.
E ele fez tudo sozinho, desde o momento em que correu pela direita e foi puxado pelo capitão do Peñarol e um de seus mais
significativos jogadores do elenco atual e ex-seleção uruguaia, Antonio Pacheco. D'Alessandro ajeitou a bola, olhou os dois adversários na barreira, correu, bateu
em curva com a canhota e acertou o ângulo esquerdo de Danilo Lerda. Um golaço. Ato contínuo, o argentino correu para a frente da inferior, se ajoelhou e, emocionado,
pôs as mãos no rosto e chorou diante dos torcedores.
Se passaram 10 minutos quando Aránguiz encontrou o veloz Valdívia na
área. O cabeludo meia do Inter fez o giro e sofreu pênalti de Bizera. D'Alessandro ajeitou a bola e bateu no mesmo canto esquerdo de Lerda: 2 a 0. Com a vitória do
Inter se encaminhando já nos primeiros minutos, os uruguaios passaram a dividir com um pouco mais de força.
Novick, um uruguaio com cara de
bárbaro, chegou em Fabrício como se o amistoso fosse uma partida de Libertadores. O jogo seguiu e Fabrício fez feio: levantou o pé e acertou Novick na barriga -
atirando o uruguaio para fora do campo. Deselegante, recebeu cartão amarelo, mas bem que poderia ter sido expulso.
— Uma emoção muito
grande. Uma coisa sonhada, que sempre passava pela cabeça pelo momento em que começou a reforma do Beira-Rio (marcar o gol na inauguração). Mas nunca imaginei
que faria um, que dirá dois. A final do Gauchão começa hoje. Temos que continuar trabalhando — disse um emocionado D'Alessandro, no intervalo.
Com os dois times modificados para o segundo tempo, aos 10, Rafael Moura teve um gol por cobertura anulado - por tocar a bola com a mão. Índio aquecia para entrar,
levantando a torcida. Aos 13, Índio entrou no lugar de Paulão. Ganhou entusiasmados aplausos da torcida e a braçadeira de capitão, de D'Alessandro. Logo em
seu primeiro lance, Índio foi ao ataque cabecear e por pouco não marcou o 34º gol com a camisa do Inter.
Aos 22, D'Alessandro foi
ovacionado pelo estádio ao ser substituído por Sasha. Aos 30, mais um momento histórico: Mauro Fernández bateu quase da marca do pênalti, a bola desviou em
Claudio Winck e Muriel não conseguiu defender. Foi o primeiro gol sofrido pelo Inter no novo Beira-Rio.
Temendo um empate, a torcida do Inter voltou a apoiar
o time. Com as duas equipes descaracterizadas, o minutos finais ganharam uma dramaticidade de final de campeonato a cada contra-ataque uruguaio. Afinal, seria mau presságio
não vencer na inauguração oficial do novo Beira-Rio. Assim que Jean Pierre encerrou a partida, um certo ar de alívio percorreu as arquibancadas. O Inter venceu
mais uma.
Jogo de inauguração do Beira-Rio - 6/4/2013
INTER 2
Dida (Muriel, 17'/2º);
Gilberto (Claudio Winck, int.), Paulão (Índio, 13'/2º), Ernando (Alan, 24'/2º) e Fabrício (Alan Ruschel, int.); Willians (Gladestony,
17'/2º), Aránguiz (Jorge Henrique, 12'/2º), Valdívia (Wellington Paulista, int.); D'Alessandro (Sasha, 22'/2º), Alan Patrick (Ygor, int.)
(depois Thales, 40'/2º); Rafael Moura (Murilo, 22'/2º)
Técnico: Abel Braga
PEÑAROL 1
Danilo Lerda (Leandro Gelpi, 34'/2º); Damián Macaluso, Joe Bizera, Emilio Mac Eachen (Carlos Nuñez, 34'/2º); Emiliano Albín (Pablo Lima, int.), Marcel
Novick (Jonathan Sandoval, 34'/2º), Nahitan Nandez (Augusto Medina, 34'/2º), Nicolás Raguso (Baltasar Silva, int.); Antonio Pacheco (Mauro Fernández,
17'/2º), Gabriel Leyes (Sebastián Piriz, 9'/2º), Javier Toledo (Jhonatan Rodríguez, int.)
Técnico: Jorge Fossati
Gols: D'Alessandro (I), aos 4min e aos 14min do 1º tempo; Mauro Fernández (P), aos 30min do 2º tempo.
Cartões amarelos:
Wellington Paulistta, Fabrício e Paulão (I); Medina, Macaluso, Silva e Albín (P).
Público: estimado em 50 mil torcedores, uma vez que
não foi fornecido o borderô do jogo.
Arbitragem: Jean Pierre Gonçalves Lima, auxiliado por Altemir Hausmann e Tatiana Freitas.
Local: Novo Estádio Beira-Rio.
Próximo jogo
Final do Gauchão
Gre-Nal - 13/4