A entrada de Argel Fucks na sala de imprensa do estádio Orlando Scarpelli foi
cena repetida, mas com um algo de diferente. A mudança está no próprio treinador, ele mesmo garante. O novo comandante do Figueirense retorna a Florianópolis 11
meses após sair para o Internacional, clube que o demitiu no domingo, mais completo. A experiência adquirida em solo gaúcho moldou o profissional, que não
conseguiu negar o convite do Furacão para iniciar a terceira passagem pela capital de Santa Catarina.
No discurso do treinador, as tradicionais frases de efeito. O
comandante respondeu que o pedido do Figueirense é, na verdade, uma convocação. Uma dívida de gratidão que interrompeu um descanso planejado após a
saída do Inter. No Figueirense o treinador mudou a carreira. De técnico de trabalhos curtos, conseguiu dar sequência por mais de um ano no clube e emendou um trabalho de
11 meses no Inter. Agora, o planejamento de Argel é passar ainda mais tempo à frente do Alvinegro.
- O futebol não tem tempo, ele tem pressa.
Planejamento de carreira eu faço o meu, trabalhamos em muitos clubes, em diferentes séries, com títulos, salvamentos de times do rebaixamento. Claro que às vezes
o planejamento passa em cima do resultado. Mas consegui algo importante na minha carreira, ficar bastante tempo no clube, ser um treinador de longo prazo. Consegui isso no Figueirense,
porque tivemos trabalho, resultado. No Inter foi a mesma coisa. Permanecer 11 meses à frente do Inter foi importante, criado no clube, ter sido campeão como técnico e
como jogador. Então para mim o planejamento passa por isso, tivemos plano de carreira e tempo de trabalho. Se na segunda passagem ficamos um ano e três meses, meu pensamento
é ficar dois anos, mas se não tiver trabalho, relacionamento e resultado, não adianta você projetar a carreira - comentou o treinador.
Com
Argel, chega ao Figueirense apenas o auxiliar Galego. O restante da comissão técnica será a permanente do clube. O treinador, inclusive, fica à frente da equipe
nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, diante da Ponte Preta. No elenco, muitos dos jogadores trabalharam com o comandante, que mostrou confiança no grupo.
- Sou
um homem do futebol, vivo 24 horas por dia. Em qualquer outro clube quando fui contratado tive esse tipo de tratamento. Lembro de uma passagem pelo Criciúma, cheguei em uma
terça e estreei na quarta. Eu conheço os jogadores, o Figueirense. Não vou me dar o luxo de sentar no camarote, vou lá dentro para trabalhar.
Confira a entrevista coletiva de Argel Fucks
CONVITE DO FIGUEIRENSE
Para mim é uma
alegria muito grande. Estou feliz de voltar a esse clube, tenho uma identificação. E não podia negar um convite do Figueirense, porque um convite desses é uma
convocação. Eu queria descansar, pensei em parar uns dias, mas o presidente me ligou na segunda-feira e fez essa convocação. Pelo relacionamento com o clube, com
a cidade, por morar aqui. Eu só voltei porque era o Figueira, senão eu ia dar uma parada. É um momento difícil, precisamos agregar todo mundo para sair da zona
de rebaixamento. É uma forma de agradecimento e de gratidão.
ELENCO QUALIFICADO?
Ninguém desaprende a jogar
futebol. Uma equipe que fez o jogo contra o São Paulo, Flamengo, que ganhou do Inter, que faz jogos duros, até agora contra o Grêmio. Esse grupo tem qualidade.
Vários jogadores trabalharam comigo, sabem a maneira da gente trabalhar, se comportar. Eu vi o Figueirense contra o Inter com o legado que a gente deixou, com vibração,
intensidade, competitivo. Tenho confiança nesses jogadores, eles podem render mais. Não podemos estar na zona de rebaixamento.
RETORNO APÓS
11 MESES
Volto muito melhor do que saí. Como pessoa, com conhecimento de futebol. Saí desse clube campeão e volto campeão. Ganhei
o hexa gaúcho, ganhamos a recopa gaúcha e voltamos com mais conhecimento. Para você ficar em um clube do tamanho do Inter você precisa de trabalho e nada resiste a
isso. Precisa ter relacionamento, isso influencia, além do resultado. E nos últimos jogos perdermos. Mas isso é para qualquer treinador, aconteceu com vários
ídolos do clube, acontece com Tite, Muricy, faz parte. O futebol vive de resultado. Voltamos conhecendo melhor a Série A.
INÍCIO DO
TRABALHO
Só volta eu e meu auxiliar, vamos manter a comissão, vamos agregar. Cada um com sua responsabilidade, com seu papel e vai ser cobrado.
E contamos muito com o torcedor, queremos que ele venha. O torcedor abraçou os jogadores em outro momento e cresceram dentro do campo, essa participação é
fundamental e pelo que conheço do torcedor alvinegro ele vai jogar junto como se fosse o último.
PLANOS PARA RAFAEL MOURA
O Rafael Moura é um jogador diferenciado. E foi uma indicação minha e convenci o Rafael a vir jogar aqui. Para ele, seria importante e disse que se
daria bem. Indiquei, disse os lugares bons para morar, as escolas para os filhos. Ele é fundamental e vai continuar como capitão do time. Quando cheguei no Inter, ele teve
chance comigo, não como deveria, mas depois sofreu lesão. Ele é experiente, sabe fazer gol.
PLANOS PARA CARLOS ALBERTO
O Carlos Alberto fomos nós que trouxemos. Vamos ter uma conversa com ele, sempre internamente. É dessa maneira que a gente trabalha. Sabemos da
importância dele, foi uma indicação que deu retorno. Precisamos do Carlos Alberto, ele é importante e tenho certeza que nas próximas partidas vai estar
à disposição.
CHEGADA DE REFORÇOS
Sobre contratações vamos tratar internamente. Podemos
trazer duas ou três peças, temos posições carentes. Se você fala de um jogador hoje, ele já se valoriza. Sabemos da necessidade e estamos correndo
atrás, mas confiamos nesses jogadores. Esperamos que os lesionados possam voltar, eles serão importantes.
POUPAR JOGADORES PARA QUARTA-
FEIRA
Nós vamos pensar exclusivamente no jogo da Ponte Preta. Quem trabalha com a gente sabe. Às vezes vamos esconder
escalação, fechar treinamento, às vezes vamos divulgar a escalação. Mas estamos pensando nesse jogo, não pensamos no domingo. Vamos colocar o que
tem de melhor no momento, o que a gente entende, fazer com que a equipe possa ter nesse jogo uma atitude diferente, um comprometimento, um querer maior. Ser um time competitivo.