O roteiro que incomoda a torcida ao longo de todo o Brasileirão voltou a se
repetir. Sem força e criatividade e com baixo poderio ofensivo, o Grêmio voltou a perder fora de casa, desta vez para a Ponte Preta, em Campinas, por 3 a 0. O resultado,
desastroso, fez a equipe despencar da sexta para a oitava posição e ver complicada a chance até de Libertadores no ano que vem. Já são seis jogos seguidos
no Brasileirão sem vitória, num dos piores momentos da temporada.
O primeiro tempo foi duro de assistir. Pressionado pela marcação alta
da Ponte Preta, o Grêmio errava nas saídas pelas laterais e nos passes longos com que Walace tentava acionar os atacantes. Como de hábito em jogos fora de casa, a equipe
não assumiu a postura agressiva. Preocupado também em marcar, Lincoln, o substituto de Douglas, aproximava-se pouco dos atacantes. Luan, como de costume, assumia a
função de criar, mas sofria com uma sequência de faltas pouco observada pela arbitragem. Bolaños e Pedro Rocha, abertos pelos dois lados, pouco faziam.
Ainda assim, o Grêmio foi o primeiro time a arriscar. A oito minutos, em passe certeiro de Lincoln, Luan antecipou-se à marcação, mas cabeceou
errado. Mesmo sem maiores atributos técnicos, a Ponte Preta ofereceu algum perigo. Como aos 24 minutos, no lance em que Marcelo Oliveira derrubou Nino Paraíba na entrada da
área e recebeu cartão amarelo. Na cobrança de falta feita por Maycon, Grohe defendeu bem.
Mal no ataque, o Grêmio também exibia
dificuldades defensivas. Logo percebidas pela Ponte Preta, que passou a explorar os lances aéreos. Aos 26 minutos, Grolli pulou sozinho em escanteio e cabeceou no travessão.
No último lance de perigo, a 31 minutos, foi a vez de Kannemann falhar. Ele cabeceou para trás e fez praticamente um passe para Pottker, que chutou alto.
O lance de surpreendente categoria de Marcelo Oliveira a dois minutos sugeriu uma postura mais ousada do Grêmio no segundo tempo. O lateral-esquerdo avançou desde o campo do
Grêmio, driblou três marcadores e chutou para defesa difícil de Aranha. O time já contava com o jovem Batista no lugar do improdutivo Bolaños e parecia
disposto a espantar a pasmaceira da primeira etapa. Uma ilusão passageira. A sete minutos, em falta batida da direita, Fábio Ferreira, sem ser assediado por qualquer marcador,
desviou de cabeça, venceu Grohe e fez 1 a 0.
A partir de então, criou-se o pânico. Primeiro, no lance em que Grohe saiu em disparada atrás de
Maycon e, na sobra, Clayson bateu com perigo. Na sequência, Matheus Jesus quase marcou em chute cruzado. A resposta do Grêmio, com Batista, resultou em conclusão errada,
sobre João Vitor.
Faltava coordenação ao time. E, por vezes, havia excesso de individualismo. Como na jogada em que Luan, após driblar
três marcadores na área, preferiu o arremate, mesmo sem ângulo. E ainda havia o risco dos contra-ataques, com o veloz Clayson. A 30 minutos, o golpe final. Nino
Paraíba ergueu da direita e Roger, com Geromel distante, cabeceou e fez 2 a 0. O 28º gol de bola aérea sofrido pelo Grêmio na temporada.
Pra completar a noite trágica, Geromel cometeu pênalti nos minutos finais. Pottker converteu e ampliou a crise do Grêmio.