SETREM promoveu nos dias 22 e 23 de setembro o 7º Simpósio de Enfermagem, que teve como tema "Fortalecendo a Rede de
Atenção Psicossocial, Prevenindo o Suicídio na Região”. O evento, que teve preparação, realização e acompanhamento realizado
pelos docentes e acadêmicos do Bacharelado em Enfermagem, com apoio do Curso Técnico em Enfermagem, teve mais de 200 participantes e debateu a questão do suicídio
através de vários vieses e sob várias perspectivas, com olhares da Enfermagem e da Psicologia. Na recepção aos visitantes, uma equipe distribuiu
abraços, demonstrando a importância da afetividade no que tange a combater esta tão preocupante questão que é o suicídio.
A
programação teve fala da enfermeira Regina G. S. Costenaro com o tema "Cuidando do Cuidador”, da enfermeira Ana Lúcia C. Kirchhof sobre "Uso da
Linguagem e a Produção de Artigos Científicos”, de Osana Simon tratando do "Centro de Valorização da Vida” e do enfermeiro Danilo
Bertasso Ribeiro falando das "Concepções Históricas do suicídio” e dos "Motivos da Tentativa de Suicídio por Usuários de
Álcool e outras Drogas”.
Na sequência, Ribeiro tratou do "Cotidiano de Familiares de Indivíduos com Comportamento Suicida”,
enquanto a psicóloga Fernanda Furini e a acadêmica de Psicologia Charlie Odi trataram do tema "A Promoção da Saúde Mental e a Construção
de uma Prática com os Agentes Comunitários de Saúde”. A fala final foi da enfermeira Dra. Rosylaine Moura sobre "Narrativas sobre suicídio, cultura e
trabalho em um município colonizado por alemães”. O Simpósio contemplou também mostra de vídeos da Enfermagem SETREM e seção de
pôsteres.
Evento agregou importantes conhecimentos sobre o tema
Segundo Gilberto Caramão, coordenador do
Bacharelado em Enfermagem da SETREM, durante uma das palestras um convidado com ampla experiência na área curricular de cursos de Enfermagem elogiou a temática do
Simpósio, ressaltando que ela precisa ser amplamente discutida. “Ao olhar para o currículo da Enfermagem SETREM, refleti que falamos deste tema nos componentes de
Bioética, de Saúde Mental e, em paralelo a isso, em vários outros componentes este tema aparece constantemente. Ou seja, o suicídio não é uma coisa
desconhecida dentro do nosso curso, mas um conteúdo presente no currículo e que foi potencializado com as discussões realizadas no Simpósio”,
destaca.
Caramão ressalta que que as palestras mexeram bastante com acadêmicos, pois fizeram vínculo com diversas áreas. “Um exemplo
é o vínculo do suicídio com o consumo de álcool e outras drogas, pois o uso destes está associado à depressão. Outra fala foi sobre
familiares dos indivíduos que têm comportamento suicida, abordando o que a família pode, deve ou não deve fazer quando tem alguém nesta
situação em casa. Muitas vezes as pessoas mais se desesperam para correr atrás de coisas que não são tão eficientes naquele momento. A palestra
clareou esta área, de como o enfermeiro pode orientar os familiares que enfrentam esta situação”, complementa.
O coordenador explica ainda
que toda pessoa que tem problema emocional acaba adoecendo a própria família. “A pessoa numa situação de depressão grave acaba ajudando a adoecer a
família, pois se ela já passou pela tentativa de suicídio, acabará sendo vigiada, o que exige alguém sempre dentro de casa e interfere diretamente no
cotidiano dos familiares”, argumenta Caramão.
O olhar de quem está próximo
Destaque também para
as falas da área da Psicologia sobre a capacitação de agentes comunitários de saúde, profissionais que trabalham nas ESFs, com instruções
sobre o que podem fazer para ajudar. “Eles são os olhos da unidade, vão nas casas das pessoas todos os dias e tem a chance de observar os sinais. Eles precisam de uma
capacitação para saber identificar que a pessoa pode estar passando por algum problema através de várias questões, como o fato de não limpar a
casa, de não fazer faxina ou não ter alimento. Mesmo que inúmeros fatores podem estar envolvidos nestas questões, dentre esse universo pode estar imbricado algum
problema de saúde mental ou comportamento suicida”, detalha o coordenador da Enfermagem SETREM.
“A fala final foi chocante por falar sobre nossa
colonização alemã. Os estudos comprovam que a pessoa desta etnia, por questões culturais, tem tendência a ser mais resignada, fechada, introspectiva e
menos expansiva, demorando para fazer amizades, sem naturalidade para se abrir e muito preocupada com a imagem. Não é algo restrito à colonização
alemã, mas é algo muito presente nela, o que exige mais atenção e uma nova postura. Não significa abandonar a cultura, mas as pessoas precisam aos poucos
tentar se abrir, expandir, conversar com outras pessoas, se entregar em relações de amizade e de amor a ponto que se consiga enxergar o interno dessa pessoa. Caso
contrário, a pessoa fica o tempo inteiro se protegendo, tenso, e isso vai ocasionando gatilhos de outros dispositivos mentais que podem gerar stress, depressão e nos casos
mais graves acabar gerando um comportamento suicida”, conclui Caramão.
Sobre o suicídio, é importante saber
- Drogas e álcool estão intimamente ligados a "ele";
- A pessoa doente precisa muito da família;
- A
saúde pública encontra-se em um momento importante que a leva a falar sobre e descobrir estratégia para preveni-lo;
- Escuta é uma
ação "poderosa", que todos nós deveríamos desenvolver e usar;
- As UBS/ESF podem fazer mais pela saúde mental e a
prevenção ao suicídio;
- 90% dos casos podem ser prevenidos;
- Ele não escolhe cor, opção sexual,
idade ou qualquer outra característica - está por TODO o mundo;
- Algumas etnias, como a alemã, revelam afinidades com "ele";
- CVV - 188 é um ponto da nossa rede de prevenção ao suicídio;
- Viver é a melhor coisa do mundo, sejamos
felizes;
- E se tiver qualquer dificuldade, procure ajuda!