A mobilização da família colorada deu certo. Mesmo sem contar com um Beira-Rio lotado, mas que cantou e incentivou o tempo todo, o Inter jogou
bem o suficiente para bater o Figueirense por 1 a 0, naquele que foi o primeiro jogo do resto de sua vida. Como a situação de tabela é desesperadora, mesmo vencendo o
clube segue no Z-4. Ainda faltam 10 jogos para que o Inter consiga se manter na Série A. O adeus à zona de rebaixamento poderá ser dado na próxima rodada, quando
o Inter receberá o Coritiba, outra vez em casa.
Enquanto alguns torcedores ainda se acomodavam nas arquibancadas e outros milhares cantavam em
uníssono o "vamo, vamo, Inter", William correu pela ponta direita. O camisa 2, cria da base colorada, parecia vestir a camisa 7 de Valdomiro ou de Fabiano quando foi
arrastando a marcação do Figueirense até chegar à área e cruzar no pé esquerdo de Vitinho. No gol, Gatito Fernández, filho de um dos
heróis do Inter: o goleiro Gato Fernández, campeão da Copa do Brasil de 1992. Pois Vitinho, com um movimento, desviou de Fernández filho e correu para
abraçar William. O Inter começava a construir ainda cedo o seu caminho rumo à sobrevivência na Série A.
Atônito, o Figueirense
tentou reagir, e Rafael Moura atingiu Danilo Fernandes em uma disputa de bola. Foi o que bastou para que a torcida visse no ex-atacante colorado um vilão em campo. Com o nariz
sangrando, o goleiro do Inter foi atendido e precisou colocar duas buchas de algodão nas narinas – que deixaram Danilo com um visual digno de Halloween.
Aos 25 minutos, por pouco o Inter não definiu o jogo. Alex cobrou falta de longe e Fernández quase aceitou, dando o rebote nos pés de Seijas. A resposta catarinense foi
dada com uma bonita bicicleta de Rafael Moura, de fora da área, que foi defendida por Danilo Fernandes — e seguida por vaias da torcida ao ex. Em seguida, Seijas lançou
Vitinho, que correu até a área e entregou o gol nos pés de William. O lateral entrou sozinho, cara a cara com o goleiro, mas chutou em cima de Gatito Fernández.
O Inter começava a desperdiçar demais na decisão.
Não que o Figueirense merecesse, mas a situação em que o Inter se meteu
no Brasileirão obrigou aos colorados a emprestar status de finalista de Libertadores aos catarinenses. E, aos 37 minutos, foi a vez de Seijas parar nas mãos do filho de
Fernández. A cada lance desperdiçado em campo, as arquibancadas respondiam cantando ainda mais alto. A torcida não abandonou o time em momento algum.
Rafael Moura merece uma atenção especial. Jogou como nunca. Estava possuído: desarmava, apanhava, batia, dava bicicletas. Parecia algo pessoal. Moura jamais foi amado
pela torcida colorada, mesmo quando marcava gols. Foi um dos nomes do jogo.
No segundo tempo, o Figueirense começou a empurrar o Inter para trás, obrigando
o time de Celso Roth a se deter mais na defesa e a tentar sair em contra-ataques. O 1 a 0 parecia pouco quando a bola começava a rondar a área colorada. Aos 18, o Inter perdeu
Vitinho, lesionado.
Com Aylon no ataque, o Inter tentou voltar a criar algo na frente. O Figueirense, porém, parecia se sentir à vontade no Beira-Rio. Com
o nome gritado por uma torcida angustiada, Valdívia foi a campo aos 31 minutos. Substituiu Alex com a missão de fazer o time retomar a posse de bola.
O
Inter reagiu um pouco. O mínimo necessário para garantir a vitória por 1 a 0, que mais pareceu goleada em clássico, tamanha era a pressão sobre o time de
Roth. O Inter deu o primeiro passo para se manter na primeira divisão. Restam outros 10 ainda.