Pela oitava vez, o Grêmio está em uma decisão de Copa do Brasil. O empate sem gols na noite desta quarta-feira, numa Arena em estado de êxtase, combinado com a
vitória por 2 a 0 na partida de ida, classificou o time para a final contra o classificado de Atlético-MG e Inter. Além da quinta taça na
competição - venceu em 1989, 1994, 1997 e 2001, o time busca interromper a incômoda espera de 15 anos por um título. A ordem dos jogos será definida em
sorteio na manhã de sexta-feira, na CBF.
Nervoso, o Grêmio ficou acuado durante todo o primeiro tempo. Parecia intimidado por um adversário que,
desta vez, não atuava de forma indolente como na primeira partida, no Mineirão. Para isso, contribuiu a novidade tática de Mano Menezes. Ao improvisar na lateral
direita o meia Lucas Romero, o técnico passou a contar com um maior número de jogadores em um setor vital do campo. Willian, utilizado no lugar de Ábila, movimentou-se
muito mais do que o argentino e confundiu volantes e zagueiros do Grêmio. Incomodou tanto que tirou Kannemann do sério. Atingido pelo argentino com uma cotovelada, sangrou e
passou o resto do jogo protegido por uma touca.
Aos oito minutos, Robinho correu livre boa parte do campo e abriu a Alisson, mas Edílson interceptou. A
inesperada velocidade do Cruzeiro assustava. Aos 15, Robinho apanhou rebote na frente da área e chutou para defesa segura de Grohe. O Grêmio respondeu em jogada iniciada por
Douglas. O passe saiu na direção de Luan, que encontrou Marcelo Oliveira dentro da área. Pressionado, o lateral concluiu de forma defeituosa.
A 22
minutos, com um arremate de pé esquerdo, o argentino Ariel Cabral acertou o travessão de Marcelo Grohe, que ficou estendido no gramado, procurando esfriar o ímpeto
mineiro. Faltava ao Grêmio a naturalidade na troca de passes. Marcados de cima, Walace e Maicon tinham dificuldade para dar início aos lances. Com isso, Douglas e Luan, os
criadores do time, ficavam isolados. De algum modo, o time repetia a falta de mobilização do Cruzeiro na primeira partida.
Derrubado na entrada da
área, a 25 minutos, Henrique permitiu um novo lance perigoso para o Cruzeiro. A cobrança da falta, feita por Arrascaeta, passou muito perto da trave.
Só a 35 minutos Douglas conseguiu fazer um passe ao seu estilo, mas Pedro Rocha não alcançou. Era, ao menos, um esboço de reação. Aos 44, Marcelo
Oliveira, dentro da área, desperdiçou a oportunidade fazendo praticamente um recuo para o goleiro Rafael.
Os riscos não foram menores no
início do segundo tempo. A seis minutos, Alisson investiu pela esquerda e forçou Grohe a defesa difícil. Só que a resposta foi imediata e por pouco não
definiu muito cedo o destino da partida. Em sua última participação antes de ser substituído por Everton, Pedro Rocha partiu da intermediária, tabelou com
Luan, driblou Robinho e chutou para defesa salvadora de Rafael.
Ter maior posse de bola parecia não interessar ao Grêmio. Ficava clara a
estratégia de jogar em recuo, na espera de uma brecha que permitisse o passe longo de Douglas para Everton e Luan. A enorme vantagem no saldo já levava a torcida a comemorar
antecipadamente a conquista da vaga na final. Aos 23, um erro grave da arbitragem, que não marcou pênalti de Bruno Rodrigo sobre Ramiro.
A essa
altura, já não havia mais riscos. Cansado da correria no primeiro tempo, o Cruzeiro no máximo se aproximava da área. A torcida também não se
importava com a falta de inspiração do Grêmio na criação e complementação das jogadas. A ela, só interessava a perspectiva do primeiro
título na era Arena.