A docente, mestre e educadora especial do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia Priscila Gadea Lorenz teve
uma experiência incrível ao participar do Projeto Marimba Inclusiva, durante o III Laboratório Ibero-Americano de Inovação Cidadã (LabiCCo). O
Maromba para pessoas com limitações auditivas foi realizado entre os dias 9 e 23 de outubro, em Cartagena das Índias, Colômbia. O LabiCCo é uma iniciativa
de Inovação Cidadã da SEGIB, e do Ministério da Cultura da Colômbia, no marco da XXV Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo.
A Marimba Inclusiva foi proposta pelo colombiano Daniel Escobar Vásquez e visa criar um dispositivo de ensino baseado na expansão da marimba de chonta e
guadua, a partir do uso de tecnologias eletrônicas e digitais, para a aprendizagem musical de pessoas em situação de limitações auditivas. Priscila
está entre os nove colaboradores escolhidos num universo de mais de mil propostas recebidas de toda a Ibero-américa, para participar no desenvolvimento do projeto de
Vásquez. Os outros colaboradores são do México, Colômbia e Venezuela.
O Laboratório Ibero-americano de Inovação e
Cidadania é um projeto da Secretaria Geral Ibero-americana e foi realizado com o objetivo de promover a inovação cidadã em Ibero-américa para fomentar a
transformação social, a governança democrática, e o desenvolvimento social, cultural e econômico. A inovação cidadã é um
processo que resolve problemas sociais com tecnologias (digitais, sociais, ancestrais) e metodologias inovadoras, através do envolvimento da comunidade afetada. De acordo com
Priscila, isto significa que os cidadãos já não são receptores passivos de ações institucionais, para tornarem-se atores e produtores de suas
próprias soluções.
Marimba
O projeto do qual a docente da SETREM participa tem como objetivo
proporcionar aos alunos surdos a apreciação da Marimba, como instrumento musical e artefato histórico-cultural, envolvendo a compreensão da linguagem musical e
aprendizagem na experimentação visual e tátil. Priscila explica que a marimba é um instrumento musical que em 2010 foi considerado patrimônio cultural da
humanidade do Pacífico Sul. Pode ser chamado de “malimba” e/ou “marimba”, é construído de madeira de chonta, um tipo de palma, que por sua vez
possui madeira forte e dura, de cor escura, é composta de pedaços longos e pequenos, formando uma escala, os mesmos devem ser golpeados para produzir diferentes sons e notas
musicais, com sua própria caixa de ressonância. O contato com o instrumento possibilita uma retomada das raízes ancestrais, o resgate cultural e histórica, ao
mesmo tempo transpõe elementos educacionais, musicais ampliando os sentidos, e uma experiência visual, tátil, memória e ritmo. Outro objetivo do projeto, segundo
ela, é o de possibilitar o ensino de música e práticas inclusivas, valorizando a diversidade no ambiente educacional, induzindo a percepção de uma
consciência sobre cidadania e inclusão social, repensando a questão da autonomia da pessoa com deficiência. “Este processo permite sua
participação como sujeito produtivo, tornando-se elemento norteador para um novo modelo que englobe princípios de respeito, educação e diversidade”,
destaca.
Segundo a docente, foram duas semanas de intenso trabalho para 120 Ibero-americanos que viajaram de vários países da região para
desenvolver soluções e propostas comuns a todos os cidadãos e, particularmente, para as pessoas com barreiras, situações, seja por causa de
deficiência ou discriminação. Durante o laboratório foram desenvolvidos 11 projetos cidadãos de toda Ibero-América, escolhidos através de
convocatória pública de entre mais de 480 projetos propostos. “Esses projetos apresentaram temas que iam desde a criação de um protocolo para
voluntários e afetada para trabalhar em gestão de desastres naturais, a adaptação de instrumento musical para as pessoas sem ouvir, através da
preservação do conhecimento ancestral”, conta.
LabiCCo
Priscila comenta que participar do LabiCCo
proporcionou uma mudança de pensamento, devido ao intercâmbio cultural e profissional. “Estive imersa em um ambiente colaborativo, onde são desenvolvidos onze
projetos simultaneamente, em uma jornada de trabalho árdua, convivendo com a diferença cultural, linguística e social, em um intercâmbio de pensamentos,
realidades e representações ideológicas”. Conforme ela, a participação este ano foi marcada por momentos distintos e significativos, partindo da
prototipagem da Marimba Inclusiva, além de uma movimentação paralela de colaboradores que trabalham com processos inclusivos, em defesa ao direitos das pessoas com
deficiência, na elaboração de um decálogo entregue a organização do evento. O evento também proporcionou na culminância da efetiva
participação cidadã, quando Chefes de Estado reconhecem em sua Declaração Oficial da Cúpula de Cartagena a exitosa realização do
LabiCCo. Mais informações sobre o evento podem ser acompanhadas nos seguintes links do site e apresentação final: https://marimbainclusiva.wordpress.com/ e
https://vimeo.com/188432872.