A insustentável leveza
do futebol reside no fato de que este é um esporte que não envolve nos critérios para o sucesso apenas números, somente ciência. Tática,
técnica, qualidade dos atletas e gestão do clube são, sim, relevantes. E todos estão de alguma forma presentes neste Avaí que volta a ser de elite
após o 1 a 0 sobre o Londrina.
Mas, para desespero de doutores e adeptos da lógica, e para alegria de torcidas como a do Avaí, a fé, a
psicologia e até a magia também reclamam sua parcela em grandes conquistas. E, nestes aspectos, o Leão é Rei. O Azurra faz coisa. O Avaí é
Série A.
Não fosse assim, aquele time que lutava contra o rebaixamento ao término do turno, que sofreu em dois Catarinenses para não ser
rebaixado, que teve crises internas gigantes, jamais estaria retornando a Florianópolis para ser recebido com carro de bombeiros no aeroporto Hercílio Luz neste domingo. E a
bandeira não seria hasteada na chegada da ponte Pedro Ivo para mostrar aos visitantes que vão chegar no verão: na Ilha da Magia, mora um time de elite.
Quando a bola começou a rolar em Londrina, os avaianos se mantinham atentos também aos resultados do Náutico. O quinto colocado, que começou a rodada a
cinco pontos do Leão, encarava fora de casa o Tupi: ao final, o Timbu venceu por 4 a 1. O outro jogo que interessava tinham o Vasco, que visitou o Criciúma e perdeu por 1 a
0.
Na primeira etapa, os minutos iniciais foram de estudos, com o Londrina buscando mais o jogo. Aos 12 minutos, uma falta na entrada da área cometida de forma
ingênua por João Felipe, foi cobrada por Rafael na primeira ameaça ao gol do Leão.
O primeiro momento mais agressivo dos visitantes
catarinenses foi aos 18 minutos, numa blitz com Romulo, que incluiu um escanteio que após cobrado levou perigo.
Aos 21, contudo, Renan mostrou porque
é o melhor goleiro da Série B. Fez duas defesas incríveis após cobrança de falta que desviou na zaga e outra em chute à queima-roupa de Itamar, de
dentro da área.
Aos 25 minutos, um amarelo já previsto: França, ex-Figueirense, que marcava com violência individualmente Marquinhos, deu
um cotovelaço em Romulo e levou a advertência.
Só que, se França estava agitado, João Felipe também. E após nova falta, o
volante avaiano, que já tinha amarelo, foi substituído para evitar complicações: entrou Judson, aos 33 minutos.
Aos 49 minutos, nos
acréscimos que foram de 6 minutos, o grande lance do Avaí na etapa: Capa cruzou e Diego Jardel cabeceou na trave.
Seria um prenúncio? Afinal,
aos 4 minutos do segundo tempo, o mesmo Diego Jardel surgiu na entrada da área, em passe milimétrico de Capa, e concluiu para abrir o placar.
O Avaí
controlou o jogo. Aos 22 minutos, Marquinhos, visivelmente cansado, deixou o campo para entrada de Vitor, visando à trabalhar a velocidade.
O restante foi
"gastar o tempo" para fazer a festa. Que começou em Londrina e continua em Florianópolis pelas ruas da cidade.