Um Inter irreconhecível arrancou um
empate em 1 a 1 diante de um esforçado e competente Cuiabá-MT na Arena Pantanal. Com um gol de Rafael Moura, aos 41 minutos da etapa final, o time de Abel Braga não
volta a Porto Alegre com um revés digno de protestos no Salgado Filho. Se D'Alessandro e companhia deixaram a Capital com a torcida fazendo provisões de goleada no Mato
Grosso, a atuação no Centro-Oeste coloca o grupo e esquema tático de Abel em xeque.
O Cuiabá-MT saiu ao ataque logo aos primeiros 50
segundos de jogo. Em um descuido na esquerda da defesa do Inter, Dida teve de trabalhar quando Gilsinho mandou uma bomba e queimou as mãos do goleiro colorado. O Inter pôde
perceber que o Cuiabá, de bobo, não tinha nada. Se os gaúchos e torcedores do Inter tinham o intuito de fazer da Arena Pantanal uma filial do Beira-Rio, os comandados
de Abel Braga entenderam o confronto de forma errada. Os rachões no CT do Parque Gigante contam com mais brio que o apresentado na Arena Pantanal. Aos seis minutos, a primeira tabela
efetiva do Inter. D'Alessandro, com um tapa de primeira, encontrou Fabrício na esquerda. O lateral conseguiu o passe no meio da área, em direção de Alex. O
meia recuperado das dores musculares e com boa movimentação cortou dois zagueiros, puxou para a perna esquerda — que é a sua boa — e chutou forte.
Não fosse Diego Macedo colocar a perna e mandar para escanteio, seria o primeiro gol gaúcho no Pantanal.
Luciano Dias mudou a postura do
Cuiabá. Jogou seu time para trás. Passou a apostar em contra-ataques e em tabelamentos que levavam algum perigo ao gol de Dida. Aránguiz, Alan Patrick, Alex e
D'Alessandro trocavam passes e assustavam o goleiro Willian Alves. Porém, aos 25 minutos, os gaúchos tomaram o primeiro susto em Cuiabá. A bola de pé em
pé desde o campo defensivo envolve a defesa do Inter com Ruan e Diego Torres. Uma tabela pela direita deixa Gilberto para trás, Ruan cruza rasteiro e Washington, de primeira,
abre o placar. Com 41, o segundo susto. Ernando foi envolvido por Cleverson, o atacante do Cuiabá limpou Dida e serviu Diego Torres. Livre, com o gol aberto a sua frente, o meia
chutou por cima.
— Eles estão fechados e conseguiram o resultado. Agora, vão se retrancar mais ainda — apontou Rafael Moura na saída
para o vestiário.
O centroavante colorado estava certo. Nos cinco primeiros minutos da etapa final só o Inter tocou na bola. Jorge Henrique foi a campo
na vaga do inexpressivo Gilberto. D'Alessandro e Alex inverteram papéis e o argentino passou a jogar pela direita. O Inter seguiu com a troca de passes, de um lado a outro, sem
objetivo. Sem acertar cruzamentos para a área, Rafael Moura sequer tocava na bola. Abel expunha as veias do pescoço à beira do campo — visivelmente irritado com a
produção de seus jogadores.
D'Alessandro chamou para si o jogo a partir dos 15 do segundo tempo. O camisa 10 atacava pela direita, pela esquerda,
arriscava chutes da entrada da área. Aos 25 minutos, em um contra-ataque do Cuiabá, correu feito louco atrás do adversário até a entrada da área de
Dida e impediu a jogada nos pés de Diego Torres. Eram 32 minutos e o capitão levou as mãos à cabeça quando Jorge Henrique tentou recuar a bola para Dida
com um passe de peito e quase originou o segundo gol do Cuiabá-MT.
Quando tudo parecia acabado para o Inter, Rafael Moura recebeu na pequena área e
empatou a partida na Arena Pantanal aos 41 minutos. Os jogadores do Cuiabá pediram impedimento, mas dois atletas davam condição na direita do ataque colorado. O Inter
acabou no lucro desde o palco da Copa no Nordeste. Mas o Cuiabá virá a Porto Alegre no próximo dia 15.