Por enquanto foco principal da
Chapecoense está na remontagem do futebol do clube, mas departamento jurídico também trabalha em questões burocrática acerca do acidente. Em entrevista
coletiva, concedida na tarde desta quarta-feira, o vice-presidente jurídico da Chapecoense, Luiz Antonio Pallaoro, afirmou que o clube e a CBF já pagaram
indenizações previstas em contrato para as famílias dos atletas - ao todo, 40 salários. E a Chape espera conseguir mais. Agora, clube aguarda reunião com
representantes da seguradora da LaMia, que deve acontecer no dia 8 de fevereiro.
- Desde o dia do acidente tivemos várias tentativas de contato com a companhia
e recentemente recebemos informações mais concretas. Recebemos um comunicando que há representantes do resseguro (seguro das seguradoras) e que faremos uma
reunião em fevereiro em Santa Cruz de La Sierra. A partir desta comunicação, fizemos contato e esperamos que neste dia tenhamos uma posição definitivo do
seguro da aeronave e da companhia. Pela companhia de resseguros, de Londres, esperamos que traga em torno $ 165 mil (dólares) para cada pessoa que estava no voo, não só
para os jogadores, mas para todos.- disse Pallaoro.
O clube também estuda a melhor maneira acionar na justiça a empresa e o governo boliviano. Pallaoro
afirma que ação pode correr na Bolívia, no Brasil ou até mesmo no Estados Unidos.
- Claro que vamos responsabilizar a companhia
aérea e o governo da Bolívia. Estamos preparando, com um escritório em São Paulo, uma ação de danos materiais e morais, além do seguro.
Estes valores importam em prejuízos do clube, porque os jogadores eram considerados ativos e nós perdemos. O contrato que tinham com o clube iria render, e o clube perdeu esse
retorno.
- Estamos estudando se vamos entrar na Bolívia ou Brasil. Se pudermos entrar em Chapecó, melhor ainda, para tentar o ressarcimento
integral mais algum direito que estamos estudando para compensar os prejuízos. Esse prejuízo foi enorme, então isso tudo vai abarcar dentro dessa ação
indenizatória a partir do fim do mês. Mesmo que a LaMia não tenha capacidade de pagar, o governo da Bolívia tem, seja em dois anos ou 10 anos, mas vai pagar.
Estamos estudando entrar até mesmo nos Estados Unidos, garanto que se entrar lá vai ser um processo muito mais célere porque faríamos fazer a ação
tramitar no foro mais competente.
VEJA OS PRINCIPAIS TRECHOS
SALÁRIOS PAGOS
O clube possuía um seguro que equivalia a 14 salários, a lei diz que é 12, mas nós acrescentamos o 13º salário e as férias também. E
havia uma cláusula de que se houvesse algum acidente, morte trágica, como aconteceu, dobraria o valor. Portanto, cada jogador (família) recebeu 28 salários da
Chapecoense e 12 da CBF. São 40 salários. O salário é o que estava em carteira, o resto é direito de imagem. Se o “camarada” ganhava R$ 50
mil, ganhou R$ 2 milhões à vista, já pagos. Neste primeiro momento, mesmo com a dor da tragédia, pelo menos financeiramente já receberam.
DANOS
O clube está gastando mais R$ 1,4 milhões apenas para registrar os jogadores nas federações,
estamos tentando um valor mais adequado em função da tragédia, mas esse é o custo (oficial). E se nós temos que pagar isso, alguém tem que nos
ressarcir, porque tivemos uma perda dos nossos ativos além dos lucros cessantes. Atletas que teriam mais três anos, por exemplo, no futebol, poderiam trazer lucro financeiro no
futuro.
RESSEGUROS
A informação que temos é que as seguradoras fazem resseguros, porque quando o valor
é alto, a seguradoras terceirizam. Neste caso cerca de 25 milhões de dólares - cerca de R$ 90 milhões (em indenizações), mais 15 milhões (de
dólares) para o casco da aeronave. Esse dinheiro vai ser pago e certamente será retido para às famílias. Poderá chegar R$ 40 milhões de
dólares. Isso não paga as vidas, porque a vida não tem preço, mas, pelo menos, ajuda um pouco as famílias.