A chuvarada que desabou sobre a Capital, fechando um verão escaldante,
não tirou a beleza e a emoção do maior clássico gaúcho. O primeiro Gre-Nal de 2017, válido pelo Gauchão e disputado na Arena, terminou
empatado em 2 a 2 e foi rico em alternativas. Melhor na primeira etapa, o Grêmio foi surpreendido pela forte reação colorada no segundo tempo e precisou correr muito
para empatar. Nos minutos finais, já com o desgaste do Inter, a equipe de Renato Portaluppi esteve mais perto da vitória, embora exposta aos contra-ataques.
Se fosse mais preciso nas conclusões, o Grêmio poderia ter finalizado a primeira etapa com mais de um gol. Mesmo com a proximidade da estreia na Libertadores, a equipe
não deu qualquer sinal de preservação e marcou com energia. Curiosamente, foi o Inter quem passou a impressão de jogar sem a determinação que se
exige em um clássico. Por isso, foi superado sem maior dificuldade.
Logo a quatro minutos, a primeira polêmica do jogo. Lançado por Bolaños,
Pedro Rocha caiu dentro da área sem ser tocado por Paulão. Próximo, Leandro Vuaden foi bem ao não assinalar pênalti.
Bolaños fazia a diferença. Tornou-se imarcável com deslocamentos entre o meio e as laterais do gramado. Aos 10, em investida pela direita, ele deu chute rasteiro para
defesa de Danilo. A supremacia do Grêmio também passava pela atuação de Luan, que confundia a marcação ao transitar do meio para os dois lados. E
pela habitual vitalidade de Ramiro, que, aos 13 minutos, lançado por Luan, surgiu de surpresa, atrás dos zagueiros do Inter, mas não alcançou a bola.
Ao Inter, faltava profundidade. Wiliam, sem ritmo, tinha dificuldades para marcar e chegar à frente. As combinações pela esquerda, entre Carlinhos e
Uendel, exitosas em outros jogos, desta vez eram tímidas. Carlos revelava dificuldades técnicas e Brenner era controlado por Geromel e Kannemann. D'Alessandro, por sua
vez, era mantido longe da área pela ação conjunta de Michel e Jailson.
No primeiro avanço colorado, a 19 minutos, D'Alessandro cruzou da
esquerda e Grohe pegou antes que os atacantes se mexessem. O vacilo do Inter a 20 minutos, em cruzamento de Dourado que William não conseguiu concluir, foi duramente castigado. No
contra-ataque, feito em alta velocidade, Pedro Rocha fez passe na medida para Bolaños, que venceu Danilo com um chute forte. O gol sintetizava a supremacia do Grêmio. E o Inter
ainda teve sorte em não levar o segundo pouco depois, em cruzamento de Bolaños que Michel cabeceou errado.
Em pânico, a zaga do Inter marcava mal,
a ponto de ser repreendida por D'Alessandro.
Mas a pressão seguiu. Aos 26, novo cruzamento de Bolaños e Marcelo Oliveira, de voleio,
desperdiça.
A 33 minutos, William e Bolaños lembraram o conflito de um ano atrás e trocaram empurrões depois que o equatoriano sofreu falta
de Léo Ortiz e, caído, teve a bola chutada em suas costas por Charles. Bolaños voltaria a deixar os torcedores do Grêmio em pé aos 39 minutos, ao tentar de
bicicleta em passe de Léo Moura.
Só aos 40 minutos o Inter exigiu defesa de Grohe, em chute forte do lateral Carlinhos. Mas foi uma
exceção no predomínio tricolor. Aos 44, nova saída errada do Inter e Bolaños assustou Danilo com chute rasteiro, que saiu para fora.
Antônio Carlos Zago percebeu a apatia do time e mudou bem no segundo tempo. Trocou os improdutivos Charles e Carlos por Roberson e Nico López e reenergizou a equipe. A
reação foi fulminante e mudou o clima na Arena. A 10 minutos, depois de combinação com Nico López e Brenner, Roberson empatou. Aos 12,
D'Alessandro iniciou a jogada e Uendel lançou às costas de Geromel, onde estava Brenner, que venceu Grohe.
O Grêmio recorreu a Lucas Barrios, que
quase fez de cabeça em seu primeiro lance. Sob chuva forte, a partida ganhou em ritmo e emoção. Renato precisava de um lance e trocou Michel por Fernandinho. E foi
feliz. Em sua primeira participação, o atacante arrematou da direita e o chute, forte, entrou com a colaboração de Danilo Fernandes.
A
sucessão de faltas e discussões truncou bastante o jogo daí em diante. O Grêmio atacava, mas se preocupava com as arrancadas de Nico López e Roberson. O
Inter, satisfeito com a própria reação, tratava de controlar Bolaños, Fernandinho e Lucas Barrios. No fim, não houve motivos para que nenhum dos times
reclamasse do resultado.
A sucessão de faltas e discussões truncou bastante o jogo daí em diante. O Grêmio atacava, mas se
preocupava com as arrancadas de Nico López e Roberson. O Inter, satisfeito com a própria reação, tratava de controlar Bolaños, Fernandinho e Lucas
Barrios. No fim, não houve motivos para que nenhum dos times reclamasse do resultado.