A fim de esclarecer dúvidas e para marcar o Dia Nacional de
Combate à Infecção Hospitalar, que ocorre no dia 15 de maio, a médica infectologista Kátia Baltieri fala sobre o trabalho desenvolvido dentro do HSVP e
quais os procedimentos necessários para evitar infecções hospitalares.
O que é infecção hospitalar?
Kátia Baltieri - Infecção hospitalar caracteriza-se por qualquer tipo de infecção adquirida após a entrada do paciente em um
hospital ou após a sua alta quando essa infecção estiver diretamente relacionada com a internação ou procedimento hospitalar, como, por exemplo:
cirurgias, inserção de cateteres e intubação orotraqueal. Por este motivo, atualmente a tendência é chamá-las de
“infecções associadas ao cuidar da saúde” e não mais infecções hospitalares.
Como se transmite?
Kátia Baltieri - A transmissão ocorre principalmente por meio de mãos contaminadas, mas também por via aérea e contato com
material infectado. Os microrganismos podem ser transmitidos de pessoa para pessoa, especialmente pelas mãos; o que torna de fundamental importância a higiene das mãos.
Há também outras maneiras de transmissão: por meio de água e alimentos contaminados; das gotículas que saem da boca quando falamos; ou pelo ar, quando
respiramos pó e poeira que contém microrganismos.
Quem tem mais chance de adquirir infecção hospitalar?
Kátia Baltieri - A frequência das complicações infecciosas hospitalares varia com a causa da internação, o estado geral do paciente e o tipo
e assistência que ele recebe. São considerados pacientes de risco: crianças, idosos, prematuros, história de trauma, tabagismo, neoplasias malignas,
desnutrição protéico-calórica, obesidade, diabetes, pacientes imunodeprimidos (AIDS, transplantados, usuários de imunossupressores, corticóides e
quimioterápicos), os que usaram antibióticos por longo prazo, ou foram submetidos a procedimentos invasivos como cirurgias.
Quais são os
riscos de um indivíduo adquirir infecção hospitalar?
Kátia Baltieri - O atendimento em unidades de saúde apresenta
atualmente grande evolução tecnológica. Situações como recém-nascidos prematuros ou de baixo peso, indivíduos que necessitam de transplante
de órgãos e as de acidentes automobilísticos graves, são uma demonstração de como o atendimento hospitalar evoluiu. Entretanto, esta melhoria no
atendimento aumentou o número de procedimentos possíveis de serem realizados num hospital. Estes, ao mesmo tempo em que prolongam e salvam vidas, trazem consigo um risco
aumentado de infecção. Muitos destes procedimentos são invasivos, isto é, penetram as barreiras de proteção do corpo humano.
Como é possível evitar as infecções hospitalares?
Kátia Baltieri - Entre os principais meios de
prevenção incluem-se a lavagem de mãos, isolamento de doenças transmissíveis e medidas específicas para cada sítio de
infecção. Trabalhamos com a implementação, treinamento e adesão dos profissionais de saúde às medidas de prevenção, que
reduzem o risco de aquisição de infecção hospitalar relacionado aos cuidados prestados. Estas medidas incluem a realização da higiene das
mãos (uso do gel alcoólico ou lavagem das mãos com água e sabão) antes e após o contato com o paciente, uso de luvas, avental e máscara
(quando indicado), o uso de técnica asséptica ao realizar procedimentos, a limpeza do ambiente e o uso racional de antimicrobianos.
Qual é
o manejo da pessoa infectada?
Kátia Baltieri - O tratamento da infecção hospitalar geralmente é feito com antibióticos
por tempo prolongado. Neste contexto pode haver complicações que acarretam em problemas médicos adicionais. Isto gera a necessidade de um número maior de
medicamentos e eleva o tempo de internação hospitalar.
O que podem fazer pacientes e visitantes para minimizar o risco de transmissão da
infecção hospitalar?
Kátia Baltieri - É importante lembrar que a prevenção pode reduzir o número de pacientes
acometidos por esta infecção e, com isso, diminuir o uso de antibióticos, o tempo de permanência destes pacientes no hospital e os danos associados à
infecção. Por isso, este deve ser um esforço de todos: profissionais de saúde, visitantes e pacientes. A higiene das mãos - que devem ser lavadas com
água e sabão ou utilizando o gel alcoólico - é uma medida simples, mas muito efetiva para reduzir este risco. Portanto, o paciente pode colaborar observando e
lembrando os profissionais e visitantes a realizarem este ato. Pessoas resfriadas, gripadas, crianças com infecções próprias da infância não devem
visitar pacientes internados.
Qual é o papel da CCIH?
Kátia Baltieri - A Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH) é um órgão deliberativo que tem por finalidade a definição de ações que visem ao controle e
à prevenção de infecções hospitalares. Tem como objetivo manter os índices de infecção nos valores considerados aceitos pelo
Ministério da Saúde, seguindo rigorosamente normas e portarias específicas da Vigilância Sanitária, promovendo ações de
prevenção às infecções. Mantendo assim a qualidade dos serviços oferecidos à população e segurança de seus
pacientes.
Ações da CCIH no hospital?
Kátia Baltieri - A CCIH atua através de diferentes formas
dentro de um hospital, e está diretamente relacionada com todos os setores do hospital. Trabalhamos sempre na busca ativa das infecções associadas aos
serviços de saúde. Realizamos o acompanhamento de pacientes internados, investigação dos casos de infecção, treinamento junto aos colaboradores,
instituição de normas, rotinas e protocolos para prevenção destas infecções, fazemos o controle do uso de antibióticos, além da
supervisão e acompanhamento da limpeza no ambiente hospitalar.