Se antes da partida entre Chapecoense e Atlético Nacional o músico Duca Leindecker cantou no gramado da Arena Condá que
era um "Dia Especial", o Verdão do Oeste tratou de tornar a terça-feira ainda mais especial com uma vitória por 2 a 1 diante do atual campeão da
Libertadores. Resultado que dá vantagem ao time catarinense de jogar pelo empate no jogo de volta da Recopa Sul-Americana, no dia 10 de maio, em Medellín.
Antes da partida, o roupeiro Jorge Andrade, um dos funcionários mais antigos do clube, disse que a Chapecoense tinha que honrar aqueles que morreram no acidente com o avião da
LaMia na Colômbia, pois era graças a eles que a Chape estava disputando a Recopa. Também era graças ao gesto do Atlético Nacional, que abriu mão de
disputar o título da Sul-Americana.
Os dois times entraram em campo juntos nesta terça, misturados, e começaram o jogo acanhados. Como num jogo de
amigos em que ninguém quer ser deselegante. A Chapecoense sentia a responsabilidade de representar um time que estava no seu auge quando sofreu o acidente em 29 de novembro na
Colômbia. O Atlético Nacional jogava contra um time que era para ter enfrentado em novembro, mas que ao mesmo tempo não era o mesmo. Os dois times alviverdes que se
irmanaram na tragédia, estavam finalmente frente a frente.
O jogo era tão importante que o técnico da Chapecoense, Vagner Mancini, usou até
terno. O treinador nem quis que os jogadores assistissem às homenagens para não se desconcentrarem do jogo. Aos poucos a partida foi tomando cara de decisão. A
emoção das homenagens foi dando lugar à emoção do jogo. O branco das arquibancadas foi dando espaço para o verde que corre nas veias dos torcedores
da Chapecoense.
O primeiro lance de perigo foi com o lateral Reinaldo, que arriscou de fora da área e obrigou o goleiro Armani a se espichar e espalmar a
bola. E o "vamos, vamos Chape" saiu da garganta. Afinal, a Chapecoense continua muito viva graças à sua torcida. E a Arena Condá, onde a Chapecoense só
perdeu um jogo para times estrangeiros, mais uma vez fez a diferença.
A energia da arquibancada contagiou os jogadores. Aos 21 minutos uma jogada da Chapecoense
levantou os torcedores da arquibancada. Arthur fez boa jogada pela esquerda e tocou para João Pedro, que tirou o zagueiro. No chute, a bola bateu na mão de Bocanegra.
Pênalti que Reinaldo cobrou e marcou. Assim como havia marcado o primeiro gol do Verdão na Libertadores, o lateral marcou o primeiro da história do clube na Recopa. Foi
o auge da emoção.
A tristeza de quatro meses atrás dava lugar à alegria. Alegria que aquele mesmo time do ano passado tantas vezes havia
trazido para a Arena Condá. O gol era uma homenagem para aqueles jogadores.
No segundo tempo, o zagueiro Grolli, lesionado, deu lugar a Luis Otávio. Mas o
migueloestino fez questão de ir para o banco apoiar o time do lado de fora. E o time da casa precisou mesmo de apoio, pois o campeão da Libertadores veio para cima na etapa
final.
Mas, do banco, Grolli nada pode fazer quando Macnelly Torres, jogador da seleção colombiana, driblou um defensor e, de fora da área,
mandou no ângulo do goleiro Artur. O gol foi tão bonito que até a torcida da Chapecoense aplaudiu.
O Atlético Nacional dominava
até o minuto 26 do segundo tempo, quando no minuto 71 de jogo, a torcida cantou o "vamos, vamos, Chape", em homenagem às 71 vítimas do acidente aéreo.
Coincidência ou não, parece que a Chapecoense recebeu uma dose de energia extra. E dois minutos depois, em cobrança de escanteio de Reinaldo, Luiz Otávio fez 2 a
1. A torcida comemorou com uma ola.
Reinaldo ainda quase fez o terceiro em cobrança de falta, que Armani defendeu. O time da Chapecoense atendeu o pedido do seu
Jorge. É, realmente o dia 4 de abril de 2017 ficará sempre marcado na história da Chapecoense como um Dia Especial.
Ficha
técnica
Chapecoense 2
Artur; Apodi, Grolli (Luiz Otávio), Nathan e
Reinaldo; Luiz Antônio (Moisés Ribeiro), Andrei Girotto e João Pedro; Rossi, Túlio de Melo (Wellington Paulista) e Arthur. Técnico: Vagner Mancini.
Atlético Nacional (COL) 1
Armani; Bocanegra, Aguilar, Alexis Henriquez e Farid Diaz;
Bernal (Mosquera), Arias, Macnelly Torres, Moreno (Ramírez) e Ibargüen (Rodriguez); Ruiz. Técnico: Reinaldo Rueda.
Gols: Reinaldo (C), aos 25
minutos do primeiro tempo. Macnelly Torres (AN), aos 13 e Luiz Otávio (C), aos 26 do segundo tempo.
Arbitragem: Mario Díaz de Vivar, auxiliado por
Milciades Saldivar e Roberto Cañete (todos do Paaguai)
Cartões amarelos: Apodi (C); Bocanegra, Arias e Alexis Henriquez (AN)
Público: 19.005
Renda: R$ 547.330