s trabalhadores da Casa de Saúde Rio Maina, em
Criciúma, no Sul catarinense, entraram em greve na noite de quinta-feira (11) por atraso no pagamento dos salários. A instituição é o único
hospital psiquiátrico em funcionamento na região. São 116 leitos, 101 dele para atendimento pelo Sistema Único de Saúde (Sus). Com isso, não
são feitas novas internações.
Conforme o diretor da Casa de Saúde, Marcelo Sottana, também há a preocupação com
relação aos pacientes já internados, há anos no local. Segundo ele, são 80 hospitalizados e desses, 33 pessoas vivem no local entre 5 e 15 anos.
“Somos referência e os pacientes internados não terão todo os cuidados que deveriam ter, podem ficar desassistidos. Esses 33 moram aqui e não tem para onde
ir”, diz Sotanna.
A greve começou às 18h e segue até que os salários de abril sejam pago, segundo o presidente do SindiSaúde
de Criciúma e Região, João Batista Martins Estevam. “Com o atraso, já havíamos alertado a instituição em documentos sobre a
possibilidade de greve. Os trabalhadores estão nos seus direitos e mantendo 30% do atendimento de saúde”, disse Estevam.
Ao todo, são 90
funcionários da unidade. Deles, conforme o diretor, trabalham no atendimento nesta sexta cerca de 25, para casos de urgência e emergência. A unidade de atendimento
especializado psiquiátrico mais próxima fica em Florianópolis, cerca de 200 km de distância, conforme Sottana.
Impasse para
pagamento
Segundo o diretor do hospital psiquiátrico, a folha de pagamento mensal é de R$ 230 mil e a Prefeitura de Criciúma repassa por
mês o valor de produção tabelado pelo SUS, em torno de R$ 140 mil. O valor referente a abril não foi repassado.
De acordo com a
secretária de Saúde de Criciúma, Franciele Gava, o repasse não foi feito porque é necessário renovar o contrato entre a instituição e
a prefeitura e para isso, a Casa não teria apresentado alguns documentos necessários.
“Se eles apresentarem as certidões negativas, nós
fazemos o repasse. São recursos do SUS pago pelo que é produzido. Nós vamos fazer o que é legal que é pagar pelo produzido”, diz Franciele.
Já o diretor da unidade de saúde diz que apenas uma certidão não foi entregue, mas que foi protocolado um documento em caráter de
urgência na prefeitura informando que a certidão foi solicitada. “Temos o parecer jurídico e foi protocolado na terça (9) o pedido para que façam o
repasse. Já pedimos a certidão do INSS, única que faltava, mas demora pra sair”.