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20/05/2017 | 08:57 | Educação | Três de Maio

Psicóloga Kaingang fala a acadêmicos da SETREM

Priscila Goré Emílio participou da primeira edição da roda de conversa do curso de Psicologia da instituição

Priscila Goré Emílio participou da primeira edição da roda de conversa do curso de Psicologia da instituição
Foto: SETREM/Divulgação
A psicóloga Kaingang Priscila Goré Emílio participou da primeira edição da roda de conversa do curso de Psicologia da SETREM, evento realizado na noite de quinta-feira, 11, no Auditório do Campus da instituição. Natural da Terra Indígena Guarita, a maior da região Sul, com aproximadamente sete mil indígenas, a psicóloga formada pela Uri - Campus Frederico Westphalen falou aos acadêmicos e docentes sobre Afirmação Cultural e Identitária do Povo Kaingang.
O objetivo, segundo a docente Fernanda Furini, foi ampliar as possibilidades dessa inter-relação intercultural. “A presença da Priscila introduziu um pouco mais o indígena dentro da nossa instituição. Esse é um movimento do componente curricular de Psicologia Social I, cuja ideia é trabalhar com a questão dos grupos e das comunidades. Os acadêmicos precisam estar inseridos nesse contexto, pois futuramente vão trabalhar dentro dessa realidade”, detalha Fernanda.
São apenas duas psicólogas indígenas Kaingangs atuando no Rio Grande do Sul. “Fui descobrindo aos poucos o curso de Psicologia. Cresci em uma família de militantes da causa indígena. Todo indígena carrega esse instinto de luta, de ir atrás de nossos ideais. Descobri no curso que poderia ter esta postura enquanto profissional, enquanto indígena. A partir do momento em que tive a oportunidade de estar inserida em uma instituição, percebi ser possível fazer muito mais, ampliar a visibilidade sobre a causa indígena e ajudar ainda mais nosso povo, proporcionar bem-estar a ele. Saí da aldeia com a missão de voltar. Fiz o curso por mim mesma, mas também por todo povo Kaingang”, ressalta.
O indígena em todos os espaços
A psicóloga exalta que momentos como o da roda de conversa realizada na Psicologia SETREM são exemplares. “Quando a universidade abre as portas para que se fale das questões indígenas, ela capacita seus profissionais. Poder compartilhar minha experiência e desmistificar muitos estereótipos da cultura indígena é muito importante, pois o índio é muito rotulado. Infelizmente muitos profissionais não se sentem preparados para trabalhar com esse povo. A universidade precisa dessa diversidade, precisa discuti-la, porque você não precisa estar necessariamente trabalhando dentro da aldeia para ter contato com o indígena. Ele está em todos os espaços nos quais o não indígena está”, aponta.
Priscila explica que o indígena está dentro de um grupo em que se tem muitos tabus e que é preciso, enquanto profissionais de diversas áreas, conhecer as diferenças para enriquecer sua formação e poder ajudar com mais propriedade. “O psicólogo é humano, trabalha com sentimentos e histórias de vida. Então, que possamos estar nos fortalecendo cada vez mais, com mais pessoas interessadas em ajudar nessa causa. Apensar de muitas conquistas, ainda temos muita luta pela frente em várias áreas, como na saúde e na educação”, conclui.
Fonte: Assessoria de Comunicação SETREM
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