A psicóloga Kaingang Priscila
Goré Emílio participou da primeira edição da roda de conversa do curso de Psicologia da SETREM, evento realizado na noite de quinta-feira, 11, no
Auditório do Campus da instituição. Natural da Terra Indígena Guarita, a maior da região Sul, com aproximadamente sete mil indígenas, a
psicóloga formada pela Uri - Campus Frederico Westphalen falou aos acadêmicos e docentes sobre Afirmação Cultural e Identitária do Povo Kaingang.
O objetivo, segundo a docente Fernanda Furini, foi ampliar as possibilidades dessa inter-relação intercultural. “A presença da Priscila introduziu
um pouco mais o indígena dentro da nossa instituição. Esse é um movimento do componente curricular de Psicologia Social I, cuja ideia é trabalhar com a
questão dos grupos e das comunidades. Os acadêmicos precisam estar inseridos nesse contexto, pois futuramente vão trabalhar dentro dessa realidade”, detalha
Fernanda.
São apenas duas psicólogas indígenas Kaingangs atuando no Rio Grande do Sul. “Fui descobrindo aos poucos o curso de Psicologia.
Cresci em uma família de militantes da causa indígena. Todo indígena carrega esse instinto de luta, de ir atrás de nossos ideais. Descobri no curso que poderia
ter esta postura enquanto profissional, enquanto indígena. A partir do momento em que tive a oportunidade de estar inserida em uma instituição, percebi ser
possível fazer muito mais, ampliar a visibilidade sobre a causa indígena e ajudar ainda mais nosso povo, proporcionar bem-estar a ele. Saí da aldeia com a missão
de voltar. Fiz o curso por mim mesma, mas também por todo povo Kaingang”, ressalta.
O indígena em todos os espaços
A psicóloga exalta que momentos como o da roda de conversa realizada na Psicologia SETREM são exemplares. “Quando a universidade abre as portas para que
se fale das questões indígenas, ela capacita seus profissionais. Poder compartilhar minha experiência e desmistificar muitos estereótipos da cultura
indígena é muito importante, pois o índio é muito rotulado. Infelizmente muitos profissionais não se sentem preparados para trabalhar com esse povo. A
universidade precisa dessa diversidade, precisa discuti-la, porque você não precisa estar necessariamente trabalhando dentro da aldeia para ter contato com o indígena.
Ele está em todos os espaços nos quais o não indígena está”, aponta.
Priscila explica que o indígena está
dentro de um grupo em que se tem muitos tabus e que é preciso, enquanto profissionais de diversas áreas, conhecer as diferenças para enriquecer sua
formação e poder ajudar com mais propriedade. “O psicólogo é humano, trabalha com sentimentos e histórias de vida. Então, que possamos estar
nos fortalecendo cada vez mais, com mais pessoas interessadas em ajudar nessa causa. Apensar de muitas conquistas, ainda temos muita luta pela frente em várias áreas, como na
saúde e na educação”, conclui.