Após greve de uma semana no
início de agosto, a nova investida do Cpers-Sindicato vai utilizar o período de aulas para a realização de debates críticos ao governo de José Ivo
Sartori. As atividades, chamadas de ¿aulas cidadãs¿, irão abordar temas como o parcelamento de salários, falta de funcionários, prioridades de
investimento e projetos que retiram benefícios do funcionalismo.
A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) ainda não definiu se as
ações serão aceitas como atividade escolar.
Ainda assim, o conteúdo anunciado para a abordagem com os alunos não é endossado
pela pasta. A diretora do Departamento Pedagógico da Seduc, Sônia Rosa, destaca que não houve diálogo com a secretaria e critica a iniciativa do sindicato.
— Isso não se inscreve no projeto educacional. Não se pode fazer apologia a nenhum governo. E sim trabalhar o aluno como ser integral —
destaca.
Atividades
Segundo a vice-presidente do Cpers-Sindicato, Solange Carvalho, cinco datas foram reservadas em agosto para
atividades críticas ao governo Sartori. Nesta sexta-feira (11), atos estão marcados em diversos pontos do Estado contra o parcelamento de salários.
Nos dias 17, 23 e 28 de agosto, os alunos terão aulas regulares até o intervalo e, na sequência, participarão de debates políticos.
— Alguém é contrário que o aluno possa fazer um debate na sala de aula ou na escola sobre a situação do Estado em que ele mora? (...) Os professores
podem trabalhar questão de matemática, história, língua portuguesa — defende Solange, afirmando que os temas serão abordados sob a ótica das
disciplinas curriculares.
Solange salienta que as escolas não chamarão representantes da Seduc. Segundo ela, o Estado utiliza diversos meios para
defender suas ideias, como espaços publicitários. Assim, apenas os professores e alunos devem se manifestar nas atividades. A última data reservada no mês, dia
30, será para uma assembleia que irá definir os próximos passos das mobilizações da categoria.
Análise
O doutor em psicologia escolar e do desenvolvimento humano e professor da UFRGS, Fernando Becker, defende os debates realizados no ambiente
escolar. No entanto, destaca que para ser considerado um debate, todos os interessados no tema devem ser convidados. Ele defende que assuntos fora do conteúdo programático
sejam abordados fora do horário normal de aula.
— A escola precisa dar todo o tempo necessário e o tempo para esses conteúdos é
sempre pouco. Sabemos que para a maior parte desses alunos é pouco — diz.
Becker salienta que, caso as escolas queiram liberar os alunos para
atividades políticas, as disciplinas curriculares devem ser priorizadas e incluídas nos debates.
Debates que serão realizados com os
alunos:
- 17/08: Crise do Estado. Crise para quem?
- 23/08: Onde está sendo investido o dinheiro dos impostos?
- 28/08: Projetos do governo que atacam os servidores e os serviços públicos.