Do silêncio à oração. E da reza às “ruas de
fogo”. O espaço em frente ao Centro de Visitantes Gigante para Sempre, no Beira-Rio, que virou um tipo de memorial a Fernandão, neste sábado, presenciou a
comoção colorada pela perda do eterno capitão.
Assim como tantas outras vezes, colorados levaram sinalizadores, fizeram barulho com bumbos e
ergueram objetos com as cores do clube. Só que, desta vez, não era para apoiar o time, mas para chorar a perda.
Em meio ao silêncio, os
estouros no céu davam o tom do que se aproximava. Centenas de colorados irromperam a Avenida Padre Cacique, em frente ao Beira-Rio, no início da noite, e se posicionaram no
local que serve de memorial. Naquele momento, a rua pareceu uma arquibancada. E os fãs, que tanto gritaram o nome de Fernandão, principalmente antes dos jogos e cada gol,
pareciam querer empurrar o ídolo para mais uma boa partida. Os cânticos, inclusive os que o ex-capitão puxava, foram entoados, bem como o hino colorado:
- Vamos, vamos Inter! - eternizado por F9 no retorno da delegação do Japão após a conquista do Mundial de Clubes em 2006.
As
canções também ganham improvisações para mais homenagens ao ídolo, eternizando o camisa 9:
- Te amo, Inter! Para sempre o
Fernandão irá viver!
Um fusca todo estilizado entoava músicas do clube. Foi então que os colorados fizeram uma roda e deram as mãos.
O gesto lembrou a última união dos jogadores organizada por Fernandão antes de adentrar o gramado de Yokohama, no Japão, para o confronto com Ronaldinho e seus
companheiros (vitória colorada por 1 a 0).
A vigília que ocorre desde a manhã deste sábado cada vez mais ganha torcedores. Algumas
palavras motivacionais foram ditas até todos rezarem o Pai Nosso. Em seguida, uma salva de palmas ao ídolo, cânticos entoados pela torcida, como o “Uh! Terror!
Fernandão é matador”, que o recepcionava antes de cada jogo e após cada gol até o hino do clube.
Os colorados não
arredam pé do local. Seguem colocando fotos, frases, cartas e deixando flores para o eterno capitão. Henrique Saraiva, por exemplo, é um dos torcedores que presta sua
homenagem ao ídolo. Abalado, o funcionário público fala sobre o significado:
- O Fernandão ficará na memória de todos os
colorados. Perdemos um grande ídolo. Ele representou a mudança de uma era. Ele mudou a vida de todos os colorados. Seus feitos nunca se apagarão. Levantei a taça
com ele.
O acidente
Fernando Lúcio da Costa voltava de sua casa em Aruanã, cidade no interior de
Goiás, localizada a 315 km de distância da capital. Além de Fernandão, estavam no helicóptero e não sobreviveram mais quatro amigos: Edmilson de
Souza Leme (vereador de Palmeiras de Goiás), Antônio de Pádua, Lindomar Mendes Vieira (funcionário da fazenda) e o piloto, identificado como Milton
Ananias.
Segundo a Polícia Civil, a aeronave levantou voo da fazenda que pertencia a Fernandão por volta de 1h e caiu segundos depois sobre um banco de
areia (uma pequena praia de água doce) às margens do rio Araguaia, capotando diversas vezes. O local do acidente fica a 15km do centro de Aruanã. O ex-jogador chegou a
ser levado para o hospital da cidade, mas faleceu pouco depois.