O professor e Doutor em Física e Mestre em Meteorologia, Geovane Webler, explica que apesar de muitas vezes serem tratados como sinônimos, estes dois termos possuem
significados muito diferentes. “O “tempo”, em meteorologia, está relacionado à previsão de curto prazo (algumas horas ou dias). Por isso, o termo
“previsão do tempo” é usado nos meios de comunicação para indicar o comportamento do tempo nos próximos dias. Já o termo
“clima”, indica o comportamento das variáveis meteorológicas (precipitação, temperaturas, etc..) em uma escala de tempo maior. A climatologia
trabalha com médias de longo prazo, em geral, 30 anos”, explica Geovane.
Mas você sabe como é elaborada a previsão do tempo? De
acordo com o professor Geovane as previsões de tempo são feitas usando informações de diversas fontes. “Os dados indicam o comportamento das
variáveis meteorológicas (temperatura, chuvas, etc..) ao longo das últimas décadas. Além disso são feitas medidas de variáveis
meteorológicas permanentemente. Essas informações são analisadas por programas de computador chamados modelos meteorológicos que, a partir da
situação atual da atmosfera projetam o que acontecerá nas próximas horas. Essa projeção é feita com base em equações
matemáticas. Então, um modelo meteorológico nada mais é do que um programa de computador que resolve as equações matemáticas que descrevem a
atmosfera. Como a atmosfera é muito complexa (ela muda o tempo todo!), é normal que previsões do tempo de longo prazo não sejam tão exatas”, explica
Webler.
Os órgãos que emitem informações mais confiáveis são o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e o CPTEC/INPE
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Para a análise dessas informações é necessária a atuação do
profissional meteorologista, que transforma os dados atmosféricos em previsão do tempo. “Este profissional precisa ter grande conhecimento em Física,
Matemática, Programação e Geografia. Pode parecer estranho, mas o conhecimento em Geografia é importante, pois as condições de relevo são
muito importantes e interferem no comportamento do tempo em uma determinada região”.
Contribuições da meteorologia para uma
boa produtividade na agricultura
A meteorologia é uma ciência que, diferentemente do que muitos pensam não se ocupa apenas em
fazer previsões de tempo. Esta ciência se faz presente em diversos aspectos da sociedade. Por sua importância no desenvolvimento de nossa região o professor da
FAHOR, Doutor em Física e Mestre em Meteorologia, Geovane Webler, explica a relação entre essa área e a agricultura.
É a
climatologia, por exemplo, que indica a aptidão de uma região para o cultivo de determinada cultura agrícola. “Nossa região, por exemplo, possui
características climáticas favoráveis ao cultivo da soja no verão. Isso não significa que em todos os verões o tempo será favorável
ao desenvolvimento da soja. A ocorrência de uma estiagem pode afetar os índices de produtividade em alguns anos mas, em geral, isso não ocorre. Tem-se então uma
região com clima favorável ao cultivo da soja”, destaca Geovane.
Espécies frutíferas, para citar mais um exemplo, possuem um
clima para o qual apresentam maior e melhor produtividade. “Como nem sempre as condições de tempo são favoráveis, há variações na
produtividade ao longo dos anos. Espécies como a uva, são especialmente sensíveis a efeitos climáticos. Variações mínimas em índices
de luminosidade, intensidade de ventos e umidade causam grande influência na produtividade e características dos frutos”, comenta o professor.
Nos
últimos anos a presença da meteorologia no dia-a-dia dos agricultores é muito maior. O aumento da tecnologia associada ao processo produtivo faz com que a
condição do tempo se torne um fator muito importante a ser observado nas propriedades rurais. As condições ideais para pulverização e colheita, por
exemplo, são determinadas pela meteorologia. Quanto mais adequadas as condições do tempo, mais eficientes serão estes processos.