Cerca de 1% da
população mundial – ou uma em cada 68 crianças – apresenta algum Transtorno do Espectro Autista (TEA), de acordo com a Organização das
Nações Unidas (ONU). Até há alguns anos, a estimativa era de um caso para cada 500 crianças. O preconceito e a falta de tratamento adequado fizeram o
Brasil despertar para o tema.
“Nos últimos anos tivemos, no Brasil, um movimento bem importante quanto a avaliação precoce do autismo. O
Governo Federal até lançou uma cartilha com algumas diretrizes, porém ainda há uma restrição muito grande de instrumentos para
avaliação das crianças”, explica a coordenadora do curso de Psicologia da SETREM, Dra. Regina Basso Zanon. Para auxiliar os profissionais neste trabalho, as
autoras Cleonice Alves Bosa e Maria Cristina Teixeira organizaram o livro “Autismo: Avaliação psicológica e neuropsicológica”, lançado
recentemente pela editora Hogrefe.
Nele, a docente da SETREM teve um capítulo publicado, intitulado “Avaliação sociocomunicativa nos casos de
suspeita de autismo: diretrizes para a hora lúdica diagnóstica”. O capítulo foi pensando para instrumentalizar os profissionais sobre como planejar uma
sessão de diagnóstico de crianças com autismo. “Quando a gente fala em avaliação psicológica e neuropsicológica, a gente tem que
pensar que, nessa avaliação, o profissional precisa criar diferentes situações para observar a resposta da criança nessas condições.
Então é um capítulo bem prático, desde como preparar a estrutura da sala, quais objetos colocar, quais brinquedos utilizar, como organizá-los e de que
forma apresentá-los; e como observar todo o comportamento da criança”, explica Regina.
Segundo a Associação Brasileira de Autismo, em
sua cartilha sobre o tema, o Transtorno do Espectro Autista caracteriza-se por alterações presentes desde idades muito precoces, tipicamente antes dos três anos de
idade, e que se define sempre por desvios qualitativos na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. Conforme Regina, o livro foi
todo construído pensando em instrumentalizar os clínicos para uma avaliação precoce, pois quanto mais cedo a criança é encaminhada para uma
avaliação especializada e é identificada com autismo, melhor será o seu desenvolvimento posterior.
Serceps cria núcleo
para avaliar crianças com autismo
Em 2017, o Serviço-Escola de Psicologia da SETREM (Serceps) criou um núcleo de atenção a
pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante o ano foram realizadas oito avaliações de crianças vindas de Três de Maio e outras cidades da
região, encaminhadas pelas Secretarias Municipais de Saúde. “Com esse núcleo abrimos a possibilidade de atuação na avaliação
psicológica do autismo, um processo muito rico em aprendizagem. Com a ajuda de seis estagiárias da Serceps, acadêmicas de Psicologia da SETREM, realizamos as
avaliações com base nos modelos apresentados no livro”, comenta Regina.
A docente da SETREM completa que essa oportunidade foi muito importante para
as acadêmicas, pelo contato com as crianças e também com as famílias, do início ao fim do processo. “A gente sabe que quando um membro da
família é diagnosticado com uma deficiência, sempre surgem dificuldades. Os profissionais precisam ser sensíveis nesse momento, acompanhar a família, pois
a saúde mental dos cuidadores também é muito importante para o cuidado da criança. Isso também é abordado no livro”.