Os mesmo cânticos, a mesma emoção no hino à capela, igualmente nervos à flor da pele. O que mudou, então, na vitória por 2 a 1 (gols
de Thiago Silva e David Luiz) sobre a Colômbia que garantiu a Seleção na semifinal da Copa? O futebol.
O Brasil sofreu nos minutos finais
com a pressão colombiana, ao recuar demais, mas foi superior na maior parte do tempo. Em alguns momentos, lembrou a Copa das Confederações. O que dá
esperança para encarar a Alemanha na terça-feira, em Belo Horizonte, por uma lugar na grande final do dia 12, no Maracanã.
O primeiro tempo foi
brasileiro de maneira ampla, geral e irrestrita, como se exigia a anistia nos tempos da ditadura. Só deu Seleção, 59% a 41% na posse de bola. A entrada de Maicon
melhorou muito o lado direito.
Defensivamente, o gaúcho de Novo Hamburgo ajudou Thiago Silva a conter James Rodrígues, que transita pelo lado esquerdo
de ataque da Colômbia. Na frente, errou poucos passes e valorizou a bola, o oposto do que ocorria com Daniel Alves. Não sai mais do time.
Outra boa
notícia foi o posicionamento de Oscar. Mais por dentro e recuado, ele abriu o lado do campo para Maicon e até Paulinho. O jogo fluiu. E, por fim, Paulinho. Ainda não
é o da Copa das Confederações, mas em comparação ao Paulinho do Mundial o avanço é enorme. Por isso o rendimento tão melhor do
conjunto. Se ele voltar a ser o motor do meio-campo, o time crescerá muito mais.
Assim, a Colômbia sucumbiu. Foram oito
conclusões do Brasil contra só três da Colômbia. Depois do gol de Thiago Silva logo a seis minutos, em jogada ensaiada nos treinos (Neymar cobra, um dos zagueiros
tenta a casquinha e o outro surge na trave seguinte), o grito da torcida intimidou os colombianos.
A Seleção empilhou chances. Hulk, duas vezes,
com força 10 e pontaria zero, em cima do goleiro ou para fora. Neymar, cobrando falta. Oscar obrigou Ospina a espalmar, e, antes, Fred fez o mesmo.
A
Colômbia chegou em um chute de Cuadrado, rente ao poste. E nada mais. Julio César mal tocou na bola até o intervalo, vendo a Seleção se aproximar do
rendimento da Copa das Confederações, com solidez defensiva e aguda no ataque.
O panorama se alterou na volta do intervalo. A Seleção
continuou mandando no jogo como ainda não tinha acontecido de forma contínua e sólida nesta Copa. Recuou além da conta, mas tinha o contra-ataque ao seu lado
como estratégia.
E foi através de um deles, puxado por Hulk, que surgiu a falta para David Luiz, o cobrador oficial da Seleção,
marcar um golaço, no ângulo, estufando a rede. Aos 24 minutos, a Colômbia estava liquidada, amassada por uma atuação convicente da Seleção
mesmo sem o brilho de Neymar. A partir daí, parecia jogo de time grande contra time pequeno. Neymar, aos 26, quase encobre o goleiro.
A Colômbia mal
respirava. Aí veio o pênalti para a Colômbia em lance isolado. Julio César saiu atrasado por baixo e achou as pernas do atacante. James Rodrígues,
até então sumido, bateu com categoria. E a partida virou totalmente. O Brasil se encolheu demais, e a Colômbia veio para cima a ponto de perder chances de empatar. Foi
um sofrimento até o último segundo dos acréscimos, mas a Seleção está na semifinal.
A classificação veio
com bom futebol até o gol da Colômbia, o que dá esperança de que a Alemanha terá de jogar muito se quiser vingar a final de 2002. A sexta estrela, pela
primeira vez nesta Copa, já não parece tão distante como na primeira fase e na classificação nos pênaltis diante do Chile.