Desta vez, o time reserva do Grêmio não fez sua parte. Sem centroavante, em uma inesperada decisão de Renato Portaluppi,
o time não reteve a bola na frente, foi superado na posse de bola, algo raro neste campeponato, e pagou com a derrota de virada por 2 a 1 para o Atlético-PR, na Arena da
Baixada. Pela primeira vez, o time corre riscos de sair do G-4 dco Brasileirão. Os titulares, preservados, tentam, terça-feira (28), contra o Estudiantes-ARG, na Arena, a
vaga nas quartas de final da Libertadores.
Com rápidos deslocamentos, o Grêmio surpreendeu o Atlético nos primeiros minutos. Aos quatro, em
preciso lançamento longo de Cícero, Pepê chegou na frente da marcação, dominou dentro da área e concluiu de pé esquerdo, na trave. Em seu
melhor momento na partida, o time marcou o gol. Aos oito minutos, Paulo Miranda trocou puxões dentro da área com Zé Ivaldo e, na sequência, caiu ao ser empurrado
pelas costas por Léo Pereira. Apesar da reclamação do Atlético, o pênalti foi assinalado e convertido por Cícero.
O
Atlético não abalou-se com o gol. Pelo contrário, assumiu o controle da partida, chegou a 72% de posse de bola e imprimiu um ritmo que desconcertou a
marcação. E chegou ao empate pouco depois. Aos 12 minutos, Pablo girou na frente de Bressan e venceu Paulo Victor com um chute em diagonal, no ângulo.
A partir de então, ficaram claros os problemas de montagem do time. Eficiente nos passes, Cícero marcava com lentidão na frente da área. Apesar de habilidoso,
Thaciano também sofria com as arrancadas de Marcinho e Nikão. Para completar, Marinho, perdido em campo, falhava na recomposição e deixava espaço para as
investidas de Rafael Lodi. O Grêmio "respirava" com as investidas de Pepê pela esquerda, mas o lance final era contido pelos marcadores.
Ao
optar por um time sem centroavante, Renato procurava ocupar os espaços na intermediária com Douglas e Alisson. O primeiro, ainda em busca do melhor condicionamento
físico, sofria com a aceleração do jogo. Alisson também produziu pouco. Só conseguiu arrematar aos 46 minutos, mas a bola desviou na
marcação. Diferentemente de outras partidas, em que se impunha pela troca de passes, o Grêmio, desta vez, era forçado a correr atrás dos
adversários.
Quanto ao Atlético, apesar da pressão, também levava maior risco em bolas aéreas. Seu chute mais
perigoso, fora o gol, foi o de Nikão, já nos acréscimos, que passou perto da trave. Ainda assim, ficava claro que Renato teria muitas coisas a corrigir no
intervalo.
Se é verdade que prosseguiu pouco efetivo na frente, o Grêmio, ao menos, teve maior capacidade de marcação na segunda etapa, ao
manter o Atlético distante de sua área com o recuo até dos atacantes. Tanto que o adversário passou a apostar em passes longos na direção do
perigoso Pablo. Era uma questão de tempo, como se veria depois.
Renato perdeu a paciência com a sequência de erros de Marinho e o substituiu aos
17 minutos por Thonny Anderson, que passou a jogar centralizado. Com isso, apostou no crescimento de Alisson, agora pela direita. Mas foi o Atlético quem quase marcou, aos 22
minutos, em arremate de Pablo que Paulo Victor salvou com os pés. Um erro de marcação no lado esquerdo, com Marcelo Oliveira, permitiu a virada, com Jonathan, na frente
de Paulo Victor, aos 24 minutos.
Renato ainda apostou na juventude de Jean Pyerre e Lincoln como tentativa de solução, mas já era tarde. Ao
atacar, o time ficou exposto aos contra-ataques do Atlético e correu riscos. O Grêmio deixou o campo sem razões para contestar o resultado.