Saber ouvir. Este foi o ensinamento que os acadêmicos da Faculdade Três de Maio – Setrem aprenderam durante a noite desta segunda-
feira, 17. Em uma palestra promovida pelo Dacaf, em parceria com os departamentos acadêmicos, especialmente de Psicologia e Enfermagem, os estudantes conheceram o trabalho de escuta
solidária e ativa realizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), de Três de Maio. A ação ocorreu em virtude do Setembro Amarelo, mês de
conscientização para prevenção do suicídio.
Desde que iniciou no Brasil, a campanha traz como mote “Falar é a melhor
solução”. Mas mais do que isso, também é preciso que haja mais pessoas dispostas a ouvir, sem julgar ou opinar. “Saber ouvir é o principal
fundamento do CVV, mas deveria ser também da nossa vida, ou seja, uma disposição diária de ouvir quem quer conversar com a gente”, afirma o
voluntário do CVV nacional e docente do curso de Sistemas de Informação da Setrem, Vinícius Serafim, que ao lado da coordenadora do CVV em Três de Maio,
Claudia Demo e das voluntárias Marilene Nardes e Leoni Eckert, mostraram como é o trabalho desenvolvido pelo CVV.
Em Três de Maio há um
posto de atendimento, o qual funciona 24 horas por dia, sete dias da semena, pelo número 188. “A ligação é gratuita, anônima e sigilosa. Nos
preocupamos em proporcionar um ambiente favorável para que uma pessoa consiga resolver seus problemas internos”, explica Claudia. Ela diz que a maioria das pessoas que ligam
possuem problemas com solidão, pois “estar no meio de pessoas não significa que você esteja com elas”. “Muitas vezes não percebemos que os
amigos estão sofrendo ou ele, por vergonha, não quer se expor e acaba sofrendo calado”, acrescenta.
Um balde de água que
transborda
Conforme o Ministério da Saúde, todos os dias cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil. Segundo a
Organização Mundial da Saúde, 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados. Para Serafim, o que leva uma pessoa a cometer suicídio raramente é
um ato pontual ou isolado na sua vida. “É como um balde que vai enchendo ao longo do tempo, às vezes demora 10, 20, até 30 anos. Como ninguém ajuda a
retirar a água, um dia vem a gota d’água que faz o balde transbordar. Ou seja, que leva uma pessoa a cometer um ato extremo contra sua vida”, comenta.
Como ser um voluntário do CVV
Em 2017, o CVV nacional recebeu cerca de 2 milhões de ligações. Neste
ano, espera ultrapassar 2,5 milhões. São aproximadamente 2.400 voluntários que atendem em 93 postos espalhados por 19 estados mais o Distrito Federal.
Para ser um voluntário, é preciso ser maior de 18 anos e ter a disponibilidade de quatro horas semanais para os plantões. Mas antes, os candidatos precisam
participar do Programa de Seleção de Voluntários (PSV), realizados duas vezes ao ano. “São oito encontros nos quais abordamos toda a metodologia de como
são feitos os atendimentos. Também realizamos simulações. Ao final, o candidato vai saber se ele estará apto para desenvolver a função de
voluntário”, explica a coordenadora do CVV. As datas dos cursos são divulgados nos meios de comunicação.