Poucas vezes, nas
últimas rodadas, o ingresso no G-4 esboçou-se de forma tão nítida para o Grêmio. No sábado, o São Paulo havia tropeçado contra o
Corinthians e uma vitória contra o Vasco, na Arena, bastaria para que a missão fosse cumprida. O time, no entanto, produziu menos e só aliviou sua torcida aos 49
minutos, em chute de Matheus Henrique que culminou com falha de Martín Silva. Com a vitória de 2 a 1, a equipe entrou na zona de classificação direta para a
Libertadores.
Renato optou por Cícero no lugar de Jean Pyerre e não viu sua confiança ser correspondida. Não que o ex-jogador do
São Paulo tenha sido o maior responsável pela dificuldade técnica vivida pelo time no primeiro tempo. O que faltou a Cícero foi maior rapidez na
transição e chegada mais efetiva na frente, funções que Jean Pyerre executa com maior desenvoltura. Assim, como pouca armação, o Grêmio
tornou-se quase óbvio, ao apostar em passes longos para que Everton resolvesse. Como o Vasco concentrou muitos jogadores no meio e protegeu sua defesa, conseguiu um bom controle
defensivo sobre o ataque gremista.
Quando não atacava pela esquerda, com Everton, o Grêmio contava, na direita, com a capacidade técnica e a
competência de Léo Moura nos cruzamentos. De resto, foi um time sem soluções, sujeitos a riscos que não são habituais quando atua na Arena. O Vasco
foi o primeiro a chutar, com o habilidoso Thiago Galhardo, aos cinco minutos, para defesa de Paulo Victor. O Grêmio respondeu no arremate de Jael, depois de girar na área,
interceptado por Ricardo. Aos 12 minutos, ocorreu o que ninguém esperava. Thiago Galhardo partiu em velocidade pelo meio, sem ser alcançado pelos marcadores, passou a Maxi
López e recebeu uma desconcertante devolução de calcanhar, entrou na área e venceu a Paulo Victor, para colocar o Vasco em vantagem.
Léo Moura, então, virou figura decisiva no jogo. Aos 14. cruzou para Everton, sozinho, cabecear por cima. Aos 19, como se não sentisse os rigores do sol, o lateral-
direito de 40 anos ganhou a dividida de Ramon e, de novo, foi certeiro em sua assistência para Jael, de cabeça, fazer 1 a 1.
O
Grêmio teria só mais uma chance clara, aos 33 minutos, desperdiçada por Everton, que bateu muito alto, depois de receber de Jael. O surpreendente Vasco ainda seguiria
apostando na velocidade de Thiago Galhardo, Yago Pikachu e Marrony e na experiência de Maxi López para perturbar a defesa. Seria preciso uma cobrança forte de Renato
para ligar o time no segundo tempo.
Aos 13 minutos do segundo tempo, quando o Grêmio, apesar da insistência contra um adversário satisfeito
com o resultado, só havia concluído uma vez, em cabeceio de Paulo Miranda, Renato atendeu aos pedidos das cadeiras e trocou Cícero por Jean Pyerre. Seria preciso,
porém, uma ação mais determinada de Alisson, Everton e Jael para que o time desse aos torcedores maior esperança de uma vitória.
Alisson tentou fazer sua parte e assustou a Martín Silva em cobrança de falta a 27 minutos. A essa altura, Maicon já havia saído por cansaço e Renato
apostava na juventude de Matheus Henrique para manter qualidade na saída de bola. O time, contudo, via-se incapaz de superar a barreira defensiva que o Vasco havia montado.
Léo Moura já atacava menos do que no primeiro tempo. E Cortez, numa incômoda rotina, desperdiçava cruzamentos. Geromel teve chance de desempatar aos 35, depois de
rebote de arremate de Everton. A chance mais clara, no entanto, foi Marinho quem desperdiçou, em cruzamento de Alisson, menos de um minuto após entrar no lugar do
cansado Léo Moura.
Sobrou disposição nos minutos finais, é inegável. Premiada com o chute de Matheus Henrique, que garantiu a
vitória suada.