Há duas formas de entender o empate em 1 a 1 do Inter com o Ceará, no Castelão praticamente lotado. Por um lado, a
equipe gaúcha ganhou um ponto, abriu distância para o terceiro colocado e está a um empate de se garantir na Libertadores. Por outro, criou o suficiente para ganhar,
perdeu muitas oportunidades, entregou o gol dos donos da casa e desperdiçou a chance de encostar no líder Palmeiras, que não venceu o Atlético-MG.
Sem Rodrigo Moledo, lesionado, Odair Hellmann escalou, mesmo, o time que era especulado. A única troca foi a da defesa: Emerson Santos compôs a zaga ao lado de
Cuesta. No meio, Dourado e Edenilson voltaram à equipe após cumprirem suspensão.
A partida começou com o Ceará empolgado pelo
apoio da torcida. A equipe da casa partiu para cima buscando pressionar e intimidar a equipe gaúcha. Mas o Inter manteve a tranquilidade de conseguiu segurar esse ímpeto. Aos
poucos, inclusive, cresceu no jogo. Passou a trocar passes no campo de ataque. E saiu na frente.
Com 15 minutos, a equipe de Odair fez a bola rodar de um lado para o
outro até que Edenilson entregou para Leandro Damião, que bateu a primeira vez. Everson rebateu para a frente e o próprio Damião pegou a sobra para abrir o
placar.
Imediatamente após o gol, Lomba precisou salvar o Inter. Arthur teve espaço e arriscou. A bola ia no ângulo, mas o goleiro colorado voou
e espalmou.
O Ceará se atirou para o ataque e permitia espaços para contragolpes. Em um deles, Edenilson quase fez um golaço. O volante recebeu no
campo de defesa e arrancou. Passou a dribles pela defesa e chutou, mas Everson defendeu.
Ainda que estivesse melhor em campo, o Inter demonstrou
irritação com algumas decisões do árbitro Dewson Freitas. Em uma reclamação, D'Alessandro levou cartão amarelo — é o
terceiro, desfalca o time contra o América-MG na quinta-feira.
De volta ao jogo, a equipe gaúcha perdeu outras duas boas chances. A primeira foi um
lançamento de Cuesta para Nico López. O uruguaio driblou o goleiro e ficou sem ângulo. Então, recuou para Damião que, acossado pelo zagueiro Tiago Alves,
não conseguiu tocar na bola para o gol praticamente vazio. Pouco depois, Nico fez grande jogada, girou em cima da defesa e deu para Patrick, que devolveu, mas a zaga se recuperou e
salvou.
A partida parecia controlada, mas a conta da falta de pontaria (ou de tranquilidade para finalizar as jogadas) chegou. Aos 40 minutos, Cuesta errou. O
zagueiro tentou dar um passe para Fabiano, cruzando a bola pelo meio, entregou no pé de Calyson, que deu para Arthur cruzar e Ricardinho completar para o gol: 1 a 1.
O Inter voltou sem substituições do intervalo. E continuou tendo espaço para contra-atacar nos primeiros minutos. O Ceará tentava a virada e concedia
espaços. Mas, assim como na etapa inicial, faltava calma para chegar na frente do goleiro.
Aos 18 minutos, Odair fez a primeira mudança. Tirou
D'Alessandro, que parecia cansado, e colocou Wellington Silva, em busca da velocidade que precisava para encaixar o contragolpe definitivo. A troca seguinte foi a de Leandro
Damião por William Pottker.
Pottker entrou ligado. Na primeira chance que teve, carregou a bola da direita para o centro e bateu forte, mas Everson
espalmou. Aos 38 minutos, Odair decidiu se arriscar definitivamente. Sacou Patrick e colocou Rossi. A troca quase deu certo aos 42. Rossi recebeu na área, antecipou o goleiro e
cruzou para Pottker, mas a defesa se recuperou e cortou.
Houve entrega e tentativa, mas faltou o algo a mais que traria o segundo gol. A Libertadores é
realidade, mas o título, parece, ter ficado só no sonho mesmo.