O Hospital São Vicente de Paulo tem
cerca de R$ 900 mil em atraso a receber do governo do Estado. O valor se refere a atendimentos realizados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e incentivos, como o
programa Portas Abertas para a manutenção da Unidade de Urgência e Emergência.
Conforme o diretor do São Vicente, Élcio
Callegaro, nenhum serviço foi suspenso até o momento, porém, como o hospital depende destes recursos, será preciso recorrer a financiamento bancário
para pagar o 13º dos funcionários do hospital.
- Diante destas condições, seremos obrigados a buscar um financiamento para honrarmos o
13º de nossos colaboradores. Uma das possibilidades é conseguir um empréstimo no Banrisul e para isto vamos propor dar como garantia valores que temos a receber do Estado
– explica o administrador.
Callegaro disse que há muito tempo trabalha como gestor hospitalar, mas nunca havia enfrentado uma situação
tão adversa como a atual.
A crise nos hospitais não é de hoje. A criação do SUS, em 1988, determinando a
universalização do atendimento sem ampliar proporcionalmente o financiamento e a estrutura de saúde foi o primeiro de uma série de equívocos cometidos ao
longo dos anos. Além do atraso nos repasses dos recursos pelo Estado, a defasagem na tabela de serviços do SUS também agrava a situação.
Somente para consertar o aparelho de mamografia, o hospital teve de desembolar nos últimos dias em torno de R$ 30 mil. Foi preciso importar uma peça da
Alemanha.
Segundo Callegaro, o São Vicente tem outro desafio pela frente: a implantação do Plano de Prevenção e Combate
Contra Incêndios. Para fazer as adequações exigidas pela legislação estadual serão necessários R$ 400 mil. No último domingo (25) o
hospital recebeu mais de R$ 4 mil doados pelo piquete Toco da Grápia, que realizou um churrasco em benefício da instituição.