No retorno do Inter ao Beira-Rio, após a Copa do Mundo, uma atuação de luxo de D’Alessandro assegurou a goleada de 4 a 0
sobre o lanterninha do Brasileirão, Flamengo. Com o resultado, a equipe de Abel Braga voltou ao G-4 do campeonato. Mas, para se manter, precisa secar os adversários no
complemento da rodada.
Antes do jogo, os telões do Beira-Rio mostravam gols históricos de Fernandão e, nas arquibancadas, os torcedores reagiam
aos gritos de “uh, terror, Fernandão é matador”. Milhares vestiam as máscaras do ex-capitão. Trinta mil delas foram distribuídas pelo clube
à torcida.
Na entrada do campo, a viúva de Fernandão, Fernanda, recebeu os jogadores do Inter. Todos vestindo a camisa 9, em homenagem ao ex-
jogador, morto em acidente de helicóptero em 7 de junho. Fernanda, com os filhos Enzo e Eloá, ambos com 11 anos, recebeu de Alex e de Índio as camisetas brancas em
tributo ao ex-capitão.
Após o minuto de silêncio a Fernandão, com os torcedores aplaudindo de pé o ídolo, a partida
teve início, com Aránguiz e D’Alessandro como armadores. Logo no início, o chileno recebeu uma pancada de André Santos no joelho direito, o mesmo lesionado
desde a Copa do Mundo. Resistiu às dores, permaneceu em campo e, aos 13 minutos, cruzou na área, Felipe falhou e Rafael Moura cabeceou para fora.
Dois
minutos depois, enfim, uma grande jogada ensaiada do Inter. Em cobrança de falta lateral, Alan Patrick encostou para D’Alessandro, que inverteu para a ponta da pequena
área, onde Juan surgiu para devolver a bola para o meio da pequena área, onde Rafael Moura empurrou para o gol. Na sequência, Moura correu até o banco do Inter,
recebeu a camisa 9, com o nome de Fernandão às costas, a estendeu no chão, se ajoelhou e, depois, apontou para o céu. Ganhou a torcida, que passou a gritar o
nome de Fernandão.
Aos 19, Aránguiz não suportou a contusão e foi substituído pelo argentino Martín Luque – que entrou
com a missão de jogar na ponta-esquerda e também fechar pelo meio, quando necessário.
Com a saída do chileno, o Inter passou a
perder o meio-campo. Wellington e Willians passaram a recuar demais, permitindo o avanço carioca. Apesar da pressão, o Flamengo não conseguiu uma boa conclusão a
gol. O Inter tentava o desafogo com Luque, que nas duas vezes em que foi lançado entrou em impedimento. Aos 38, uma nova boa chance: D’Alessandro cobrou falta, no ângulo,
mas a bola foi para fora.
Aos 45, o lance que definiu a partida. O pesadão Chicão deu um carrinho com as travas das chuteiras para cima acertando
as pernas de Wellington Silva. Foi expulso e D’Alessandro fez o 2 a 0, cobrando o pênalti.
- É um dia para a gente lembrar o maior capitão
da história do clube (Fernandão). Estamos vencendo por ele e por nós – disse o capitão D’Alessandro, no intervalo.
No segundo
tempo, a chance de transformar vitória em goleada foi desperdiçada por Rafael Moura que, cara a cara com Felipe, cabeceou para fora. Aos 12, a goleada: D’Alessandro
cruzou com perfeição para Fabrício, que pegou de primeira, bateu cruzado, sem chances para Felipe.
Entregue, batido e levando
“olé” das arquibancadas, o constrangedor Flamengo só esperava o jogo acabar. Um dominante Inter poderia ter transformado o clássico em um Alemanha x Brasil.
Aos 32, Fabrício cruzou na área e Alex surgiu, bateu ainda correndo e marcou o quarto gol colorado. E em ritmo de treino, a vitória que os torcedores tanto queriam para
o seu eterno capitão, foi confirmada.