O controle biológico como caminho para o controle das pragas foi a recomendação do pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Ivan Cruz em sua palestra durante a
59ª Reunião Técnica Anual do Milho e a 42ª Reunião Técnica Anual do Sorgo, realizadas de 21 a 24 de julho na SETREM, em Três de Maio, uma
parceria da instituição de ensino com Emater/RS-Ascar e Fepagro. Para situar o público das dificuldades neste cenário, Cruz mostrou um trecho de uma
publicação datada de 1797 que já relatava as dificuldades com o controle da lagarta de cartucho, até hoje a pior praga do milho.
“Todos
falam que devemos usar o controle biológico e preservar os insetos benéficos, mas as grandes questões são: Quais são os insetos benéficos? Quais
são as espécies benéficas que existem em cada local? Não sabemos! Mesmo conhecendo o adulto, às vezes não conhecemos a larva dele, que pode ser
agente de controle biológico tão bom quanto o adulto. Precisamos fazer um trabalho de base, envolvendo todos os parceiros de pesquisa e produtores, para que conjuntamente
consigamos aumentar nosso nível de conhecimento”, ressalta Cruz.
O pesquisador destaca que com a chegada das plantas geneticamente modificadas, o
grande benefício levantado inicialmente foi que a partir de então não seria preciso mais passar produtos químicos. “Mas esqueceram de algo simples. Quando
entraram as transgênicas para controlar lagarta do cartucho, deu-se oportunidade para outros insetos ocuparem o local. Há locais em que não se consegue convier mais com
o percevejo. Então, resolvemos um problema e criamos outro”, complementa.
O controle biológico, segundo Cruz, possibilita por exemplo que o
inseto benéfico coloque o ovo dentro do ovo da lagarta do cartucho, fazendo com que a lagartinha nasça parasitada. “Dentro daquela lagartinha tem a larva
benéfica. Essa lagartinha até vai chegar a 10mm, mas vai morrer. Porém, se ela comer um transgênico, vai morrer e vai matar o benéfico e, novamente,
perde-se o potencial do controle biológico”, argumenta.
A biodiversidade
O palestrante reforçou a
importância de ser colocada em prática nas lavouras a implantação da área de refúgio, a fim de manter a biodiversidade. “Essa ideia do
Ministério da Agricultura de aumentar de 10% para um mínimo de 20% é muito bem recebida, pois assim contribuir mais um pouco para manter a biodiversidade”,
reforça Cruz.
“Temos duas maneiras de usar o controle biológico. Uma é reconhecer em cada localidade quais são os insetos
benéficos e preservá-los. O segundo ponto é utilizar o controle aplicado, em que você desenvolve biofábricas, compra os produtos ou produz produto
biológico e libera para a agricultura. O controle biológico é a melhor maneira de conseguir equilíbrio no sistema agrícola. Ele reduz o risco de perda com
pragas atuais e com pragas que poderão vir”, destaca.
Um exemplo apresentado por Cruz foi o de uma área de agricultura orgânica que teve
acompanhamento desde o ano de 2004. No local nada se aplica de produtos químicos e o resultado é uma diminuição na incidência de pragas. “Ou seja,
não se aplica nada, o controle biológico faz a parte dele”, exalta. “Às vezes fico pensando porque demoramos tanto para conhecer a biodiversidade em
relação à agricultura. Realmente, se investirmos um pouco na leitura de campo, vamos nos assustar em como a biodiversidade é grande nesse país e o quanto
pode ser utilizada em prol da agricultura”, conclui o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.