O reencontro da torcida com o time, na Arena, não foi como se esperava. Em uma noite de mata-mata, pela partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil, o Grêmio empatou em 1 a 1 com o Bahia nesta quarta-feira (10) e vai decidir a classificação na semana que vem, na Fonte Nova. Como não tem mais o gol fora de casa como critério de desempate, o Tricolor terá de vencer no tempo normal ou, se persistir a igualdade no placar, decidir nos pênaltis.
O técnico Renato Portaluppi surpreendeu na escalação e mandou a campo um time diferente daquele que foi visto nos treinamentos de intertemporada, mas parecido com o que vinha jogando antes da pausa para a Copa América — com Jean Pyerre no meio e André no comando do ataque. O restante da equipe era aquela velha conhecida, sem novidades.
Assim, o Grêmio começou o jogo do mesmo jeito que terminou o primeiro semestre: tocando a bola e ameaçando pouco a meta do adversário. Nos 10 primeiros minutos, as chegadas do Tricolor gaúcho foram todas em bola alçadas para a área. E nenhuma resultou em finalização contra o gol defendido por Douglas Friedrich. Aliás, o primeiro chute foi Bahia, com Elber, aos nove minutos. A bola passou longe do gol de Paulo Victor.
Nos 10 minutos seguintes, praticamente nada aconteceu. As duas equipes trocavam passes no meio quando tinham o domínio e apertavam a marcação quando a posse era do rival. Assim, a partida ficou feia, com poucas chegadas à frente. De bonito, apenas um lençol de Jean Pyerre em Elton, mas a jogada não teve prosseguimento.
Quem buscava mais o jogo era Everton, que a cada toque na bola ouvia os gritos de apoio da torcida. Mas o primeiro chute do Grêmio contra a meta do Bahia saiu aos 25 minutos, quando Alisson chutou prensado e a bola ficou fácil nas mãos do goleiro Douglas. O Bahia respondeu rápido: Artur conduziu pelo meio, passou para Elber e ele escorou para Ramires. O camisa 10 bateu com perigo, à direita do gol defendido por Paulo Victor.
O Tricolor gaúcho teve suas primeiras boas chances aos 32 e 33 minutos. Inicialmente com Everton, que recebeu no meio, próximo da entrada da área, e finalizou desviado para fora. No escanteio, a bola chegou até Jean Pyerre, que emendou um voleio e a bola foi na trave. Na sobra, André não conseguiu completar.
Alguns minutos depois, aos 37, o mesmo André perdeu grande oportunidade para abrir o placar. Depois de receber um passe de cabeça, pelo alto, o centroavante subiu mais do que o zagueiro Juninho e testou para o chão, em cima do goleiro Douglas, que salvou o Bahia.
E foi no finalzinho do primeiro tempo que o Grêmio soube aproveitar a velocidade — e a qualidade — de Everton. Maicon cobrou rapidamente uma falta para Jean Pyerre. O meia fez um lançamento primoroso para Cebolinha, que disparou para a área e foi derrubado por Douglas Friedrich. Na cobrança, o artilheiro da Copa América bateu cruzado e tirou o goleiro da foto: 1 a 0.
— A gente nunca sabe quando será a última partida, mas meu foco sempre foi o Grêmio. Sempre fui sincero, não tinha chegado nada. Agora, chegaram algumas consultas, mas nada para o Grêmio ainda — disse Everton na saída do primeiro tempo.
Se terminou bem a etapa inicial, o Grêmio vacilou logo no início do segundo tempo e sofreu o gol de empate. Artur cobrou um escanteio para a área aos três minutos, a bola passou por todo mundo e Gilberto cabeceou para o gol, deixando tudo igual na Arena: 1 a 1.
O time de Renato Portaluppi até chegou ao ataque em algumas vezes depois de levar o empate, mas não conseguiu superar a defesa do Bahia. O técnico, inclusive, levou uma sonora vaia quando substituiu Alisson e Jean Pyerre para as entradas de Pepê e Luan. A crítica da torcida foi, especialmente, pela saída de Jean Pyerre, que fazia uma boa partida, e não de André.
Aos 25 minutos, Maicon acionou Luan pelo meio. O camisa 7 finalizou com perigo, mas a bola passou sobre o gol de Douglas. Depois disso, a melhor oportunidade foi do Bahia, com Artur, que invadiu a área pela direita e chutou para boa defesa de Paulo Victor.
Agora, ficou tudo para Salvador. Serão mais 90 minutos, sem vantagem para nenhum dos lados, para decidir quem seguirá em busca do título — e dos milhões — da Copa do Brasil.