A quinta-feira amanheceu como qualquer outro dia para Marcelo Grohe. O goleiro tinha
compromisso com a imprensa no começo da tarde, depois seguiria para o Estádio Olímpico, onde participaria do penúltimo treinamento com os companheiros antes da
partida contra o São Paulo, no domingo, na Arena. Rotina que foi alterada pela cautela de Dunga. Diante da lesão de Jefferson, que sofreu uma luxação no dedo
mínimo da mão esquerda, o técnico da seleção brasileira resolveu se precaver. Manteve o botafoguense na delegação para os amistosos contra a
Argentina e o Japão, em outubro, mas fez o adendo de mais um jogador: o camisa 1 gremista, convocado pela primeira vez para defender a Seleção.
O
responsável por transmitir a notícia a Grohe foi o diretor executivo do Grêmio, Rui Costa. Assim que soube do chamado, ligou para o arqueiro, que não soube como
responder. Ficou “sem palavras”. Primeiro, comemorou com a esposa, Paula, em casa. Depois, retornou ao telefone para passar a novidade a sua mãe e a seu cunhado. Antes de
deixar a residência rumo ao treinamento ainda deixou uma mensagem em sua conta no Facebook, dizendo-se honrado por defender a seleção.
Passada a euforia, Grohe retomou a costumeira tranquilidade para dirigir até o Olímpico. Mas a calmaria durou pouco. Bastou chegar ao vestiário dos donos da casa para
ser celebrado por todos os companheiros. Recebeu apertos de mãos, abraços e o reconhecimento dos gremistas pela convocação. Um dos mais animados, Fellipe Bastos
saudou o arqueiro com aplausos. O preparador de goleiros Rogério Godoy ainda o cumprimentou antes de iniciar o treinamento.
- Os méritos são todos
seus, a a gente fica muito feliz por ti - afirmou Rogerião.
A seleção brasileira só deixou a cabeça de Marcelo Grohe com o
início da atividade, orientada por Luiz Felipe Scolari e pelos demais integrantes da comissão técnica. O camisa 1 manteve foco total e seriedade durante todo o
trabalho. Orientou e cobrou bastante dos zagueiros Werley e Pedro Geromel, mas foi pouco exigido durante o coletivo. Em uma das raras chances da equipe reserva, fez defesa segura
após chute do centroavante Nicolas Careca.
Na segunda parte do treinamento, Grohe participou de uma atividade de cobranças de falta. Junto aos demais
goleiros, Tiago, Folmann e Leo, foi pouco exigido pelos batedores e, quando precisou, fez boas defesas. Mas também foi vazado. Luan e Erik, garoto da base, balançaram as
redes. Um dos últimos a deixar a atividade, recebeu aplausos dos poucos torcedores que marcaram presença no Olímpico.
- Em relação ao
treino, tive que concentrar. Sábado temos um jogo difícil (contra o São Paulo, pelo Brasileirão). Quero ajudar muito o nosso time. Na Seleção, a
gente pensa depois. Claro que estou feliz, mas temos um compromisso importante - pondera.
A convocação também mudou os planos do Grêmio.
Marcelo Grohe foi o escolhido pela assessoria de imprensa para conceder entrevista coletiva. Falou sobre o melhor momento da carreira e sobre os momentos de instabilidade - como a reserva
de Dida, em 2013. Relembrou passagens pelas seleções de base e agradeceu o apoio de companheiros, familiares e amigos. Também projetou a participação sob
a tutela de Taffarel e de Dunga com a camisa verde e amarela. Solícito, parecia incansável ao responder cada pergunta com respostas detalhadas. Ao final da coletiva, foi
cumprimentado e parabenizado por todos os jornalistas.
Dia encerrado para Grohe? Não. O camisa 1 prometeu responder às centenas de mensagens que
recebeu no celular assim que chegar em casa.
- Não tive a oportunidade de falar com mais pessoas. Não tive tempo. O celular está cheio de mensagens.
Vou responder cada uma com calma. Agradecer a todos com calma. Esse carinho é muito bom - revelou.