Este Inter de fim de temporada só vence com
muito sofrimento. Havia sido assim contra o Goiás, foi assim contra os reservas do Atlético-MG, neste sábado, no Beira-Rio. Apesar do fraco futebol, a vitória
por 2 a 1 colocou o clube provisoriamente na terceira colocação do Campeonato Brasileiro, com 63 pontos e 19 vitórias, e com chances cada vez mais vivas de jogar a Copa
Libertadores da América. Fabrício foi o herói do jogo, ao marcar o gol da vitória aos 48 minutos do segundo tempo. No sábado, uma vez mais em casa, o
Inter recebe o Palmeiras. E precisará seguir vencendo para pavimentar o caminho libertador em 2015.
Diante do arisco time reserva do Atlético-MG, o Inter
demorou a entrar no jogo. Os primeiros minutos foram de bons avanços dos garotos de Belo Horizonte e de apreensão nas arquibancadas. Os donos da casa chegavam às
cercanias do gol de Victor em cobranças de escanteios. Os guris de Levir Culpi, porém, pareciam trocar passes e avançar com maior naturalidade — e sem
pressão.
Mesmo com surpreendente dificuldades de criação no meio-campo, o Inter conseguiu chegar ao gol aos 20 minutos. Alex encontrou Jorge
Henrique na ponta da área, lançou o baixinho, que cruzou para Rafael Moura entrar em velocidade e fazer o 1 a 0. Três minutos depois, porém, Fabrício
voltava a seus altos e baixos. Cometeu um pênalti infantil ao agarrar o meia Eduardo. O novato-sensação do Atlético-MG, Dodô, bateu e empatou a partida. O
Inter voltava a se atrapalhar em campo contra o time B dos mineiros.
O gol de Dodô pareceu deixar o Inter ainda mais ansioso e precipitado. D'Alessandro, que
deveria acalmar a equipe e voltar a comandar as ações ofensivas, resolveu bater boca com os adversários e com o árbitro. Conseguiu levar um cartão
amarelo. Os colorados estavam se perdendo em campo. Quase ao final do primeiro tempo, Gilberto defendeu um chute de Eduardo com as duas mãos. Um pênalti tão claro que
causou enorme surpresa o árbitro Péricles Bassols Cortez não tê-lo marcado. O Inter foi para o intervalo jogando cada vez menos contra a gurizada do
Atlético-MG. E beneficiado pelos erros de arbitragem.
No segundo tempo, os mineiros passaram jogar ainda mais soltos e mais à vontade no Beira-Rio. O Inter
se esforçava muito para chegar à área de Victor. Aos 13 minutos, Jorge Henrique ajeitou para Rafael Moura, que ficou cara a cara com o goleiro e bateu fraco, para
fácil defesa.
Moura seguia a melhor opção de ataque do Inter. Aos 19, Willians cruzou na área e o centroavante cabeceou a gol, mas viu Victor
realizar uma grande defesa, no ângulo. O desespero começava a tomar conta das arquibancadas do Beira-Rio.
Sem grandes alternativas na casamata, Abel
Braga colocou Valdívia no lugar de Gilberto e Taiberson na vaga de Jorge Henrique. O Inter passou a ter maior volume de jogo, mas permitia generosos espaços para os contra-
ataques do Atlético-MG. Aos 41, Rafael Moura cabeceou por cima um cruzamento de Fabrício.
E foi o lateral-esquerdo quem passou de vilão a
herói do jogo. Aos 48 minutos, Valdívia trombou com Donato, a bola sobrou para Fabrício bater no canto direito de Victor. Uma vitória que dá ao Inter
grandes chances de disputar a sua 11ª Libertadores. Ao final, os 38.006 torcedores (o novo recorde de público do Beira-Rio) se estenderam na comemoração do suado 2
a 1 e demoraram a deixar o estádio.