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14/01/2022 | 08:40 | Geral

Em Frederico Westphalen, 300 famílias dependem de caminhão-pipa para ter água para beber

Emendando uma estiagem na outra há três anos, região convive com ameaça de racionamento

Camila Faustino da Silva precisou trabalhar fora para amenizar queda na renda causada pela falta de chuva - Lauro Alves / Agencia RBS

A estiagem retirou Camila Faustino da Silva da rotina no campo. Nascida e criada em Barra do Braga, localidade a 18 quilômetros de Frederico Westphalen, Camila passou a vida inteira lidando no tambo e nas lavouras da família. Agora, aos 32 anos, pela primeira vez vai trabalhar fora, na tentativa de amenizar a queda na renda causada pela falta de chuva.

— Vou ser agente de saúde. Já comecei o treinamento e logo logo estarei atuando aqui na comunidade. Não tem outro jeito. É desesperador, porque a gente investe, tá muito caro para plantar, a gente não sabe se vai colher, se vai ter dinheiro para pagar as contas — desabafa Camila, sob um calor de 37ºC, às 10h.

No inverno, as 52 vacas da agricultora produziam em média 9 mil litros de leite por mês. No verão mais perverso dos últimos três anos, a média caiu para 4 mil litros mensais. Com as pastagens queimadas pelo sol, o gado come menos, perde peso e reduz os índices de prenhez, numa espiral de prejuízos que espalha pelos sete hectares da propriedade da família.

No início de janeiro, o marido de Camila, Jaime Vedovato, aproveitou dois dias seguidos de chuva, uma raridade na região, e plantou milho em 2,5 hectares. Os 50 milímetros que caíram do céu fizeram as plantas germinaram, mas foram insuficientes para o resto.

— Está tudo morrendo. É o terceiro ano seguido de seca e, olha, estamos remando para não quebrar. Eu nem penso muito nisso, senão fico doente — diz Vedovato.

A água que falta no pasto é escassa também na casa. Camila e cinco vizinhos são abastecidos por uma caixa d’água de 10 mil litros. A reposição é feita toda quarta-feira pela prefeitura, mas, desde ano o final do ano passado, a água dura apenas quatro dias. Os outros três dias são de torneira seca na vizinhança.

— Eu busco água na minha mãe aqui perto, encho baldes e garrafas, para poder cozinhar e tomar banho. O gado está bebendo água duma fonte que tem lá pra baixo. Botamos uma bomba e estamos puxando. É o que dá pra fazer — conforma-se.

Emendando uma estiagem na outra há três anos, Frederico Westphalen convive com ameaça de racionamento. A rede de água da cidade e dos municípios vizinhos de Vicente Dutra e Caiçara era mantida pelo Rio Pardo, mas não há mais vazão suficiente.

Para manter o fornecimento, desde o início do segundo semestre do ano passado, a Corsan puxa água do Rio Fortaleza, em Seberi. Ao todo, 300 famílias de 16 localidades precisam de assistência semanal de caminhões-pipa. São 110 cargas por mês, distribuindo um milhão de litros no período. Além disso, três escavadeiras percorrem o Interior limpando bebedouros e cavando açudes.

— O meu telefone não para. Nem na missa estou indo mais de tanto pedido que recebo — diz o secretário municipal de Agricultura, Gildo Busatto.

Fonte: GZH

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