Vontade, energia e superação! Estas palavras resumem a história de Vitor Fisner Garcia, um alegriense da
localidade de Espírito Santo que mostrou ser um cara muito especial! Ele nasceu prematuro, de sete meses, junto de seu irmão gêmeo que não resistiu e faleceu.
Vitor lutou muito pela vida, sobreviveu, mas o excesso de oxigênio dilatou as veias de seus olhos, deixando-o com 100% de deficiência visual. Quem acha que este jovem
espirituoso é triste por isso, engana-se, pois ele mesmo afirma: “A felicidade sempre fez parte da minha vida”.
Não deixando que sua
deficiência visual impedisse de levar uma vida normal, Vitor estava no grupo de sua escola que veio para o Orientação Profissional SETREM (OPS!?). Após vivenciar
várias experiências e conhecer os cursos e a estrutura da Instituição, não teve dúvidas: “Decidi fazer o Curso Técnico em
Informática”, relembra, ao retirar seu diploma em braile, na tarde de terça-feira, na Secretaria da SETREM, na presença do coordenador do CTI Edinei Steffen e do
vice-diretor da Faculdade Três de Maio Sandro Ergang.
Vitor recorda do desafio inicial, do aprendizado proporcionado pela sua formação e da alegria
em ser um profissional Técnico em Informática certificado. “Sempre consegui atingir as tarefas propostas usando computadores com leitor de tela NVDA, programa que,
interagindo com o sistema operacional do computador, captura toda e qualquer informação apresentada na forma de texto e a transforma em uma resposta falada utilizando um
sintetizador de voz. Após superadas todas as etapas, meu sentimento é de emoção e felicidade”, destaca.
Desafio e portas
abertas
“O Vitor foi um desafio dentro do curso, porque nós também tivemos que aprender com ele. Até então não
tínhamos uma pessoa especial como ele. Tivemos que nos adaptar e aprender a cada dia, conversando sobre como iríamos fazer as tarefas. Ele fez o estágio aqui na SETREM,
venceu todas as etapas e conquistou sua formação com todos os méritos”, exalta Steffen.
Segundo Ergang, o desafio de acolher pessoas com
necessidades especiais é sempre grande e a Instituição precisa estar preparada. “Só entendemos o grau de dificuldade em cada caso específico, porque
cada um apresenta uma realidade diferente e precisamos respeitar e nos adaptar a isso. Assim como o Vitor, temos outros alunos com deficiência, algumas visuais, outras auditivas, de
mobilidade e também de aprendizagem. Todos são especiais para nós e por isso merecem toda nossa atenção”, ressalta.
“Vamos
fazer todo esforço para atender sempre essas necessidades, respeitando a individualidade de cada um. Mas, ao mesmo tempo, peço paciência para que compreendam as nossas
limitações, pois tenho certeza de que nós somos muito mais limitados para atendê-los do que eles apresentam limitações para estarem aqui e
aprenderem. Espero que todos sintam-se acolhidos em nossa Instituição”, conclui o vice-diretor.