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26/01/2023 | 16:57 | Saúde

''É uma situação de abandono, inadmissível'', diz ministra da Saúde sobre condições no território yanomami

Na semana passada, pasta comandada por Nísia Trindade declarou emergência de saúde pública na região

Na semana passada, pasta comandada por Nísia Trindade declarou emergência de saúde pública na região
Reprodução internet

À frente dos planos de curto, médio e longo prazo para combater a crise humanitária que atinge os yanomami no norte do país, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse nesta quinta-feira (26) que a situação de crianças e adultos atingidos pela fome e por doenças na região é uma situação deliberada.

Segundo Nísia, os habitantes da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, foram abandonados. A manifestação ocorreu após participação da ministra na primeira reunião anual da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília, para definir as principais ações para a saúde em 2023.

— É uma situação de abandono, inadmissível. O abandono é uma política que precisamos superar com atenção integral à população indígena. Em contraponto ao abandono, a nossa política terá que ser coletiva e de cuidado — disse.

Na quarta-feira (25), a ministra teve reunião com o governador do Roraima, Antonio Denarium, e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. O objetivo do encontro foi traçar medidas para ampliar o atendimento aos povos indígenas do Estado.

Além das ações emergenciais iniciadas na semana passada, o Ministério da Saúde pretende lançar novo edital para o programa Mais Médicos, inclusive para contratação de profissionais estrangeiros, a fim de acelerar o incremento no número de profissionais que atendem na região.

O Ministério da Saúde declarou, na última sexta (20), estado de emergência de saúde pública para enfrentar a falta de assistência sanitária das populações no território yanomami. A Força Nacional do SUS está na região para atender emergencialmente pessoas em severo grau de desnutrição e acometidas por doenças como malária e verminose.

— A fome é um terrível indicador, mas a causa é o garimpo ilegal que desestruturou as condições de vida, com a contaminação de rios, propiciando condições para o aumento dos casos de malária, através das escavações em que se acumula água — disse Nísia. 

Investigações
Na noite de quarta-feira, o Ministério dos Direitos Humanos divulgou comunicado em que afirma que a antiga pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos recebeu, entre 2019 e dezembro de 2022, diversas denúncias envolvendo violações de direitos dos povos indígenas, todas registradas pela ouvidoria.

O Ministério Público Federal (MPF) diz que também já alertava para a gravidade da situação dos povos residentes na reserva desde 2021.

Por determinação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para apurar os crimes de genocídio, omissão de socorro, crimes ambientais, além de outros crimes conexos na terra yanomami. Sob sigilo, a investigação tramita na Superintendência Regional da PF em Roraima.

Fonte: GZH
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