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06/08/2023 | 07:34 | Saúde

Pesquisa da UFRGS aponta que Covid-19 e zika podem ter correlação com doenças neuropsiquiátricas

Estudo realizado pelo pesquisador Rafael Lopes da Rosa também aponta para complicações na gravidez em gestantes infectadas pelo coronavírus

Estudo realizado pelo pesquisador Rafael Lopes da Rosa também aponta para complicações na gravidez em gestantes infectadas pelo coronavírus
Pesquisa aponta que infecção por covid-19 pode resultar em alterações moleculares com desfechos neuropsiquiátricos - Jonatan Sarmento / Arte GZH

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que o zika vírus e o coronavírus podem ter correlação com doenças neuropsiquiátricas, além de ocasionar complicações na gravidez. O estudo foi elaborado pelo pesquisador Rafael Lopes da Rosa no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular, com orientação do Prof. Dr. Walter Orlando Beys da Silva. Intitulada “Caracterização molecular da infecção pelos vírus epidêmicos Zika e SARS-CoV-2 e correlação com doenças potencialmente associadas”, a tese foi defendida em 7 de outubro de 2022.

Em sua pesquisa, Rafael procurou caracterizar as alterações da expressão genética dos hospedeiros causadas pelos dois vírus. Primeiramente, iniciou o doutorado com foco em se aprofundar nas crianças cujas mães tiveram zika durante a gestação. O pesquisador lembra que muito se falou nos bebês que nasceram com microcefalia (malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve) por conta do vírus, mas que o microrganismo poderia trazer problemas a longo prazo, por isso a importância de manter estudos.

— As crianças (de mães infectadas com o vírus na gestação) estavam crescendo, e em alguns grupos é apontado um maior número de crianças com déficits de aprendizado, condições que podem estar relacionadas com o zika durante a gestação, mas os estudos ainda estão em andamento — observa Rafael. — Além da microcefalia, outra porcentagem poderia sofrer com doenças sintomáticas, algum tipo de condição que poderia vir ao longo do tempo.

O pesquisador ressalta que uma pessoa infectada por zika pode ativar marcadores de doenças como Parkinson, autismo e esclerose lateral amiotrófica. No caso, o vírus não é necessariamente o causador das doenças, mas há uma correlação que poderia agravar um quadro ou até iniciá-lo.

Já a pesquisa sobre o vírus SARS-CoV-2 foi elaborada em caráter de urgência durante a pandemia. Identificou-se que a infecção pode resultar em alterações moleculares com desfechos neuropsiquiátricos — como a depressão, transtorno de pânico, distúrbio do sono, entre outros. A tese evidenciou ainda o risco que o vírus representava para as mulheres grávidas. 

— Analisando o padrão de expressão genético em pessoas que foram infectadas por SARS-CoV-2, identifiquei que haviam marcadores correlacionados com a doença pré-eclâmpsia, que aumenta a pressão no útero e pode causar aborto — relata o pesquisador. 

Essa pesquisa sobre a relação entre a covid-19 e pré-eclâmpsia foi citada em indicações legislativas e relatórios técnicos para promover prioridade para gestantes na vacinação contra o coronavírus. Tendo em vista essa correlação foi sancionada a Lei n.º 14.151, em maio de 2021, que determinou o afastamento da empregada gestante das atividades presenciais durante a emergência de saúde pública decorrente da covid.

A pesquisa

  • Por meio de ferramentas de bioinformática, foram analisados genes do hospedeiro que não seriam percebidos sem infecção (de Zika ou SARS-CoV-2)  ou seriam expressos somente em uma quantidade anormal.
  • Uma vez que a pessoa é infectada, o vírus faz seu hospedeiro expressar proteínas, que seriam benéficas para a multiplicação e manutenção do microrganismo. Então, ocorre um aumento anormal dessas proteínas. São os chamados Genes Diferencialmente Expressos (GDEs). 
  • A partir da observação de GDEs, a pesquisa pode realizar correlações clínicas.
  • Como resultado, foram construídos dois bancos de dados sobre o impacto na expressão gênica diferencial da infecção de Zika e SARS-CoV-2 em amostras clínicas e experimentais. 
Fonte: GZH
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