O
Inter encontrou um pesadelo em amarelo e preto, logo em sua estreia na Libertadores. A derrota por 3 a 1 para o The Strongest, na altitude de La Paz, nesta terça-feira, mostrou um
time envolvido com facilidade pelos bolivianos, que construíram a vitória ainda nos primeiros minutos de jogo. A equipe de Diego Aguirre estreou na Libertadores em desvantagem
no Grupo 4 e o técnico uruguaio terá duas semanas decisivas pela frente: O Inter enfrenta nos próximos dias, na sequência, Universidade de Chile, Grêmio e
Emelec.
Os primeiros minutos de Libertadores foram dramáticos para o Inter. Ainda tentando se adaptar à vida a 3,6 mil metros de altitude, a equipe de
Diego Aguirre aceitou o confronto ao estilo de La Paz e Nilmar saiu em desabalada carreira contra os zagueiros do The Strongest. Aos quatro minutos, D'Alessandro lançou o camisa
7, que quase marcou. Mas, em seu chão, os bolivianos a cada ataque levavam grande perigo à defesa. Após três tentativas, o gol. Aos 10 minutos, Chumacero aparou
rebote de Alisson e fez 1 a 0.
Era apenas o início, mas o Inter começava a fazer o jogo dos sonhos da torcida "atigrada": a correria. Aos
14, a derrota passou a se tornar algo concreto. Nilton errou na frente da área, o ataque costurou em meio à defesa e Ramallo surgiu na frente de Alisson para desviar e fazer 2
a 0. Ramallo já havia marcado contra o Inter na Libertadores de 2012.
O Estádio Hernando Siles, a casa da seleção boliviana, era uma festa em
amarelo e preto. Nem mesmo a ausência do presidente da Bolívia, Evo Morales (torcedor do rival do The Strongest, o Bolívar), que ficou de assistir ao jogo, mas
não compareceu, tirou o entusiasmo do carnaval dos "tigres".
Um Inter atônito, e se defendendo como podia no frio de 10°C de La Paz, era
visto em campo. O time de Aguirre era um bloco defensivo, que tentava sobreviver a chutões para o ataque. O curioso é que em La Paz a defesa do Inter não estava exposta
como em outros jogos. A equipe se defendia com 10, mas nem isto foi suficiente para evitar os gols. O sistema defensivo era envolvido a dribles. Aos 36, Anderson não suportou a falta
de ar e pediu para sair. Vitinho entrou em seu lugar, com uma orientação básica: chutar a gol.
A mudança pouco se fez notar. O Inter era
totalmente dominado em La Paz e o intervalo surgiu como um alívio para os colorados.
O segundo tempo começou com um pênalti para o Inter. Em
cobrança de escanteio, Cristaldo colocou a mão na bola, após cabeceio de Sasha. D'Alessandro cobrou, descontou e saiu comemorando o gol, correndo para a frente da
casamata, onde Alex aguardava par abraçá-lo. O Inter tentava voltar ao jogo. E pressionava os bolivianos: nem parecia o time abatido do primeiro tempo. Vitinho acertou o
travessão e por pouco não empatou.
O problema da reação tardia em La Paz é que o desgaste físico devido ao ar
rarefeito passa a jogar a favor dos donos da casa. A cada ataque colorado, o The Strongest respondia com maior ferocidade. Escobar passou a chutar de fora da área para testar Alisson
com bolas em curva. O gol que culminou a partida veio de triangulação perfeita entre Escobar e Chumacero, que fez o 3 a 1.
O Inter deixa a
Bolívia na lanterna do grupo. Terá de vencer em casa, sem Nilmar, expulso já nos descontos, a Universidade de Chile — que perdeu para o Emelec na preliminar do
grupo — e recuperar-se na luta pelo tricampeonato da Libertadores.