Em campo, a participação xavante na Copa do Brasil vai durar no
mínimo mais 90 minutos. A derrota para o Flamengo por 2 a 1 determinou o jogo de volta do Brasil-Pel no Rio, e ainda permite a repetição da história de 1985.
Fora do campo, a participação de Pelotas na Copa do Brasil durou 48 horas. E as memórias desses dois dias deverão durar mais 30 anos, pelo menos.
Ao longo da quarta-feira, um desfile de camisas xavantes coloriu as ruas de vermelho e preto. Era curioso observar o crescimento da onda rubro-negra, temporal e geográfica.
Quanto mais se aproximava da hora do jogo e do estádio, mais gente aparecia com o uniforme do Brasil.
A chegada do time ao Bento Freitas foi apoteótica.
Milhares de torcedores recepcionaram os atletas com sinalizadores e fumaça. O ambiente era de final de Libertadores. O problema para os gaúchos é que o Flamengo entrou
para jogar como Libertadores, e o Brasil, não.
Tirando os cinco primeiros minutos, quando ainda estava empolgado, e os cinco finais, quando já estava
desesperado, o Brasil assistiu ao time de Luxemburgo desfilar um futebol classicamente carioca, com toque de bola e cadência.
Aos 29 do primeiro tempo, Alecsandro,
que já havia perdido gol feito, não perdoou uma falha de Ricardo Bierhals, para abrir o placar. Na segunda etapa, aproveitando-se da inoperância xavante, que murchou
até a torcida, Pará deu o golpe fatal, acertando belo chute de fora da área.
Quando tudo parecia perdido, Nena aproveitou cobrança de falta
de Forster e diminuiu. O Flamengo receberá o Brasil no Maracanã em março. E Pelotas fica com uma bela história para contar pelos próximos 30 anos. Mesmo
que seja uma derrota.