05/02/2024 | 05:02 | Geral
Mulher é investigada pelos crimes de racismo, injúria, grave ameaça, dano qualificado e tentativa de agressão
Uma mulher suspeita de ataque antissemita contra uma comerciante judia, em Arraial d’Ajuda, no sul da Bahia, prestou depoimento na manhã deste domingo (4), segundo a Polícia Civil. De acordo com o delegado Paulo Henrique de Oliveira, coordenador da 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior, ela foi liberada porque não houve flagrante.
A mulher, uma cidadã chilena que não teve o nome divulgado, é investigada pelos crimes de racismo, injúria, grave ameaça, dano qualificado e tentativa de agressão.
Imagens divulgadas em redes sociais mostram quando uma mulher avança contra a lojista judia, identificada como Herta Breslauer, 54 anos, e a chama de “sionista, assassina de crianças” na sexta-feira (2).
Um homem segura a mulher e tenta levá-la para fora da loja, mas ela derruba objetos das prateleiras da loja e tenta avançar contra a comerciante.
— Sionista, assassina de crianças. Eu vou te pegar, maldita sionista — grita a mulher.
Segundo o delegado, quando a Polícia Militar chegou, já não encontrou a investigada, que havia se misturado aos turistas – o distrito do município de Porto Seguro é um importante polo turístico baiano.
O delegado Oliveira disse ao Estadão que a Polícia Civil pediu à Justiça a adoção de medidas cautelares.
— Como não houve prisão em flagrante, representamos para que a autora dos fatos investigados seja proibida de entrar em contato com a vítima, pela proibição de se ausentar do país enquanto durar o processo, e para que seja proibida de frequentar o estabelecimento comercial da vítima — disse.
Segundo o delegado, o conteúdo do depoimento permanece em sigilo devido às investigações.
— Em termos gerais, a pessoa investigada alegou que toma remédios controlados, que já conhecia a vítima e perdeu a cabeça, mas que não agrediu a comerciante, pois foi contida pelo seu companheiro – disse.
A advogada de Herta, Lilia Frankenthal, disse que a vítima está bastante assustada e optou por não falar com a imprensa. Herta passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) para a constatação de possíveis lesões decorrentes de um tapa no rosto.
Lilia disse que pediu a prisão da suspeita, com base na Lei 14.532/2023, de janeiro do ano passado, que equipara a injúria racial ao crime de racismo.
Em nota conjunta, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Sociedade Israelita da Bahia classificaram como “repugnante” a agressão contra a comerciante.
A reportagem não conseguiu contato com a investigada.
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