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05/04/2024 | 10:36 | Geral

Alas do governo voltam a disputar poder na Petrobras, e presidente da estatal pode cair

Jean Paul Prates pediu audiência com Lula para conversar sobre os ataques sofridos por ele, disparados por colegas

Jean Paul Prates pediu audiência com Lula para conversar sobre os ataques sofridos por ele, disparados por colegas
Nesta quinta-feira (4), Prates ironizou notícias sobre possível mudança na companhia. Geraldo Magela / Agência Senado/Divulgação

Latente desde o início do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, uma disputa de poder na Petrobras voltou a provocar turbulência em Brasília. O presidente da estatal, Jean Paul Prates, pediu audiência com o presidente da República para conversar sobre os ataques sofridos por ele disparados por colegas de governo, segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo.

O mais recente episódio voltou a expor a queda de braço entre Prates e o titular de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O ministro admitiu em entrevista à Folha que tem conflitos com o dirigente da petroleira. Já o chefe da Casa Civil, Rui Costa, estaria sondando candidatos que poderiam vir a comandar a estatal.

Prates quer ouvir de Lula qual será seu destino. De acordo com o jornal Valor Econômico, o chefe do Executivo confidenciou a interlocutores a disposição de demitir Prates.

Nas últimas semanas, Silveira vem se aproximando da Casa Civil em assuntos que hoje preocupam Lula e aliados no que diz respeito à queda de popularidade do governo, como o preço da energia elétrica. Ele tenta emplacar uma medida provisória para antecipar pagamentos da privatização da Eletrobras e, com isso, reduzir a conta de luz. A estimativa do Ministério de Minas e Energia é que, ao antecipar os R$ 26 bilhões que entrariam no caixa da União ao longo de 30 anos, seria possível reduzir as contas de luz em 3,5%.

Lula tem ouvido de auxiliares que o duelo entre Prates e Silveira chegou ao limite e que é preciso tomar uma decisão, ou seja, a demissão de Prates ou a sua permanência. A leitura é que uma decisão deverá ocorrer em breve no Palácio do Planalto.

O presidente da República estaria avaliando transferir o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, para o comando da Petrobras, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. O nome do ex-ministro da Casa Civil circula dentro do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda.

Depois de divergências no início do mandato, Mercadante se aproximou do titular da Fazenda, Fernando Haddad, e apoiou a manutenção da meta de déficit fiscal zero. O diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, assumiria o banco de fomento.

Há outros nomes para o comando da Petrobras que circulam nos bastidores em Brasília, como técnicos do setor de óleo e gás e executivos, como Magda Chambriard e Ricardo Savini, da 3R.

Também são citados auxiliares da Casa Civil, como Miriam Belchior e Bruno Moretti, além do próprio ministro Rui Costa, e do secretário do Ministério da Fazenda Rafael Dubeux, indicado por Haddad ao Conselho de Administração da companhia.

Nesta quinta-feira (4), Prates ironizou notícias sobre possível mudança na companhia. Em publicação em rede social, o dirigente reproduziu uma suposta troca de mensagens de WhatsApp que dizia que ele sairia, sim, da Petrobras, mas para jantar. E estaria de volta no dia seguinte cedo, com a agenda cheia.

Prates recebeu apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Em nota, a entidade "critica o processo de espancamento público que o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, está sofrendo", mas lembra que a decisão final é do presidente da República.

O presidente da Petrobras mantém o apoio de lideranças do PT, de senadores aliados e do ministro da Fazenda, segundo a Folha. Eles consideram que a saída dele, neste momento, poderia ser traumática para a empresa e o governo, gerando crise desnecessária.

Negociações
Desde o seu primeiro mandato, em 2003, Lula optou por escolher petistas para o comando da Petrobras. Foi assim que nomeou o sergipano José Eduardo Dutra, em seu primeiro mandato, e o baiano José Sergio Gabrielli, no segundo. Prates foi senador petista pelo Rio Grande do Norte, antes de chegar à Petrobras. Sua indicação foi uma escolha do presidente, tomada ainda na transição em 2022.

Em conversas reservadas, petistas ressaltam que a escolha de eventual sucessor é de Lula, não do partido. Mas também sublinham que Prates negociou com o PT os nomes que passaram a compor a diretoria da Petrobras. Uma troca poderia afetar essas indicações. Ele também se aproximou da categoria dos petroleiros, que exercem influência política no atual governo.

Fonte: GZH
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